Adesão ao plano de demissão dos Correios fica abaixo do esperado: 2,3 mil funcionários

Correios prorrogam programa de demissão voluntária até 7 de abril, buscando adesão para reestruturação e alívio financeiro

Os Correios prorrogaram o prazo do Plano de Desligamento Voluntário (PDV) até 7 de abril, após registrarem a adesão de 2.347 funcionários até a manhã desta segunda-feira (30). O número está significativamente abaixo da meta inicial de 10 mil adesões para este ano, com uma projeção adicional de 5 mil em 2027.

O PDV é um programa que oferece incentivos para que funcionários peçam demissão voluntariamente. Para a empresa, representa uma forma de reduzir custos e reestruturar o quadro sem os impactos negativos de demissões em massa. A estatal busca “oferecer mais tempo e segurança” para que os empregados analisem as novas condições de assistência médica, incluindo a ampliação regional do Plano Família da Postal Saúde.

Os Correios enfrentam uma crise financeira sem precedentes e anunciaram, no fim de 2025, um amplo programa de reestruturação para equilibrar as contas. Este plano inclui a contratação de empréstimos, a revisão do modelo de negócios e a implementação do PDV, entre outras ações. O objetivo é reduzir o quadro de pessoal em até 15 mil funcionários até 2027.

A situação da empresa se deteriorou nos últimos quatro anos. Em 2022, o prejuízo foi de mais de R$ 700 milhões, saltando para R$ 2,5 bilhões em 2024. O rombo para 2025 ainda não foi oficialmente divulgado. Para manter as operações, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, tendo recebido R$ 10 bilhões até o início de 2026, com garantias do Tesouro Nacional.

Apesar do recebimento do empréstimo, a empresa admite a possibilidade de precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano. Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido. “O modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser viável”, afirmou Rondon. O plano de reestruturação prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de cerca de mil agências, das aproximadamente 5 mil existentes.

A estatal pretende economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027 com as medidas implementadas, buscando reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos.

Com informações do G1

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