Pesquisadores do Maranhão desenvolveram o AlcoLab, um aplicativo gratuito que permite detectar a presença de metanol em bebidas alcoólicas usando apenas um smartphone, uma seringa e uma balança de cozinha comum. A ferramenta, criada na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Chapadinha, pode ser crucial para a segurança dos consumidores, especialmente em um contexto de surtos de intoxicação por metanol.
O aplicativo surgiu como resposta aos casos de intoxicação por metanol registrados em 2025 em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Pernambuco e Bahia, que resultaram em 73 casos e 22 óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. O AlcoLab oferece uma forma acessível de triagem, identificando a presença de metanol a partir de 5% e estimando as porcentagens de água e etanol na bebida.
O funcionamento é simples: o usuário coloca a bebida na seringa, pesa com a balança, grava um vídeo enquanto o líquido escorre e marca pontos no vídeo dentro do aplicativo. O AlcoLab calcula automaticamente a densidade e a viscosidade, indicando se a bebida é suspeita de adulteração. “A ideia surgiu a partir de uma conversa com um perito da Polícia Civil do Distrito Federal, Diego Souza, sobre as limitações das análises fora do laboratório”, explica o professor Pedro Augusto de Oliveira Morais, coordenador do projeto.
O metanol é um álcool tóxico frequentemente usado para adulterar bebidas como cachaça, vodca e uísque, podendo causar cegueira, falência de órgãos e até a morte. O AlcoLab, portanto, representa uma ferramenta importante para a prevenção e a proteção da saúde pública, oferecendo uma alternativa rápida e acessível para a detecção de bebidas adulteradas.

A avaliação das propriedades da substância permitiu aos pesquisadores adaptar o método para o uso com materiais simples, ampliando o acesso à técnica. O aplicativo automatiza os cálculos e torna o processo intuitivo para o usuário, reduzindo erros experimentais.
Com informações do Portal Amazônia.