Lideranças indígenas do Rio Negro articularam uma agenda interministerial em Brasília para tratar do avanço do uso prejudicial de bebidas alcoólicas e seus impactos nas comunidades, especialmente em São Gabriel da Cachoeira (AM). A iniciativa, da Foirn e ISA, busca soluções para um problema crescente na região.
O grupo apresentou um diagnóstico detalhado aos ministérios da Saúde, Justiça e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), solicitando a criação de Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), ações de combate à violência de gênero e políticas de saúde mental específicas para os povos do Rio Negro.

O uso de bebidas alcoólicas tem intensificado a violência interpessoal e doméstica, com aumento de homicídios e feminicídios, além de romper laços familiares e agravar problemas de saúde mental. O juiz de São Gabriel da Cachoeira estima que 90% das ocorrências criminais locais estão relacionadas ao consumo excessivo de álcool.
A articulação busca tratar o alcoolismo como um problema de saúde pública, com ações de prevenção, informação e cuidado, em vez de apenas repressão. Um plano de trabalho piloto interinstitucional está sendo construído, com a primeira ação prevista para junho.
As lideranças indígenas também abordaram questões de proteção territorial e crimes em áreas de fronteira, que agravam os desafios enfrentados pelas comunidades. A cartilha “Cuidados com o uso de bebidas alcoólicas na região do Rio Negro” é uma iniciativa local de conscientização.
Com informações do Portal Amazônia.