Brasil planeja resposta a novo ‘tarifaço’ dos EUA para proteger exportações

O governo federal iniciou a reformulação de suas estratégias comerciais após o anúncio de um novo “tarifaço” imposto por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. A medida dos Estados Unidos prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 25%, que entrará em vigor na próxima quarta-feira, dia 22 de julho.

Como resposta, o Palácio do Planalto já decidiu pela adoção da Lei da Reciprocidade. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025, a legislação permite que o Brasil aplique medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que criem barreiras comerciais, legais ou políticas contra produtos nacionais.

A diplomacia brasileira, no entanto, age com cautela. Um auxiliar de alto nível do setor afirmou que o governo estuda “cirurgicamente” quais setores norte-americanos serão atingidos para evitar que a medida acabe sendo um “tiro no pé” e prejudique a própria economia brasileira.

Até o momento, levantamentos preliminares indicam que o Brasil pode aplicar retaliações contra o setor audiovisual e patentes farmacêuticas dos Estados Unidos. A decisão americana é fruto de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O impacto financeiro é significativo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a nova tarifa deve atingir 26,2% das exportações brasileiras para os EUA, afetando montantes de US$ 11 bilhões. No setor do agronegócio, a estimativa da CNA é que 36,5% das exportações para o país sejam impactadas.

Para mitigar os prejuízos, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que empresas afetadas contarão com o apoio do Plano “Brasil Soberano”. Além disso, a CNI propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir adaptações na política industrial Nova Indústria Brasil (NIB).

Paralelamente, a ApexBrasil prepara um programa de diversificação de mercados com investimento de R$ 130 milhões. O objetivo é realocar a produção brasileira para novos destinos, com foco em países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além de negociações com Japão, Canadá e Emirados Árabes, aproveitando também a abertura de mercados via acordo Mercosul-União Europeia.

Com informações do G1

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