A Amazônia pode enfrentar um processo de degradação irreversível até o fim do século XXI se as emissões de gases de efeito estufa continuarem em alta. Um estudo publicado pela revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, alerta para o risco do ‘dieback’, termo usado para a perda progressiva da capacidade da floresta de se manter como um ecossistema tropical.

A pesquisa, que utilizou Modelos do Sistema Terrestre (ESMs), indica que em nove de doze cenários a produtividade da floresta pode cair mais de 80% antes de 2100. Esse colapso, embora lento, desencadearia efeitos em cadeia devastadores para quem vive na região, como secas prolongadas e o aumento de incêndios florestais.

O gatilho principal é o aumento da temperatura, especialmente quando áreas registram mais de 32°C e chuvas anuais abaixo de 1.394 milímetros. O desmatamento acelera esse processo, pois a substituição da mata por pastagens reduz a reciclagem de umidade, diminuindo a formação de nuvens e intensificando o aquecimento local.
As consequências ultrapassam as fronteiras da floresta, podendo alterar a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas em toda a América do Sul. Além disso, a Amazônia deixaria de absorver carbono para se tornar uma emissora, agravando o aquecimento global.
Apesar do cenário pessimista, os cientistas afirmam que ainda há tempo de evitar o ‘ponto de não retorno’. Políticas governamentais urgentes para conter o desmatamento e reduzir emissões globais podem estabilizar o ecossistema.
“Proteger a Amazônia não é apenas crucial para preservar a biodiversidade, mas também para estabilizar o sistema climático global e garantir o equilíbrio global de carbono”, destaca o trecho final do estudo.
Com informações do Portal Amazônia.