Desmatamento na Resex Jaci-Paraná: o que muda para quem mora lá

A Reserva Extrativista Jaci-Paraná, localizada em Rondônia, atravessa um período de forte degradação ambiental, marcada pelo crescimento da pecuária e pressões sobre as famílias extrativistas. De acordo com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, a unidade de conservação possui 197.364 hectares, mas 150.096,5 hectares já foram desmatados

Mapa revela avanço do desmatamento. Foto: Reprodução/Arquivo Kanindé

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Esse volume de destruição representa cerca de 76,05% da área total da Resex, restando apenas 23,95% de cobertura florestal. Na prática, a área devastada equivale a aproximadamente 210 mil campos de futebol. O cenário é agravado pela presença de gado, com estimativas que variam entre 165 mil e 216 mil cabeças de gado distribuídas em centenas de estabelecimentos rurais.

Criada em 1996 para proteger a floresta e o modo de vida de ribeirinhos e extrativistas em Porto Velho, Buritis e Nova Mamoré, a reserva enfrenta crises judiciais há décadas. Recentemente, a Lei Complementar nº 1.274, que criou o Perad-RO, gerou polêmica ao prever a regularização de ocupações ilegais e anistia de multas, sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF)

Inspeção judicial ouve fazendeiros e comunidade tradicional / Arquivo Kanindé
Inspeção judicial ouve fazendeiros e comunidade tradicional. Foto: Reprodução/Arquivo Kanindé

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Paralelamente ao dano ambiental, o Ministério Público Federal (MPF) alertou para a urgência de proteger as famílias locais após relatos de disparos de arma de fogo, expulsões violentas e destruição de casas. O MPF solicitou que a Sedam e a Polícia Militar Ambiental realizem fiscalizações rigorosas, com a demolição de currais e galpões irregulares, preservando apenas as residências tradicionais.

Edjales Benício, técnico da Kanindé, afirma que “o estado de Rondônia perdeu a governança desse território” e defende a federalização da gestão para garantir a segurança dos moradores. A situação é crítica para quem resiste no local: “A gente vive sob ameaça. Dormimos com medo. Acordamos com medo. Alguns moradores carregam as marcas dos tiros, somos expulsos à bala”, relata um extrativista sob anonimato.

A Kanindé segue atuando na defesa da reserva e lançou a campanha “Chega de invasão, reserva é proteção” em parceria com a Unir. A organização defende que a recuperação da Resex Jaci-Paraná depende do combate efetivo às invasões, da retirada de atividades incompatíveis e da garantia de permanência das comunidades tradicionais no território.

Com informações do Portal Amazônia.

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