No senso comum, a palavra “dívida” costuma carregar uma conotação negativa, remetendo a problemas financeiros e estresse. No entanto, sob a ótica da economia e do mercado financeiro, o endividamento não é inerentemente ruim. A diferença fundamental entre a chamada “dívida boa” e a “dívida ruim” é técnica e econômica, e não moral.
A dívida boa é aquela que funciona como um investimento. Ela ocorre quando o crédito é utilizado para adquirir ativos que podem aumentar a renda do indivíduo ou construir um patrimônio a longo prazo. Um exemplo clássico é o financiamento de um imóvel ou a contratação de um empréstimo para abrir ou expandir um negócio próprio.
O ponto crucial para que a dívida seja classificada como “boa” é que o retorno esperado sobre esse investimento seja superior ao custo dos juros pagos ao banco. Se o valor do aluguel de um imóvel financiado ou o lucro de uma nova empresa superam as parcelas do crédito, o endividamento está, na verdade, gerando riqueza.
Por outro lado, a dívida ruim é aquela utilizada para antecipar o consumo de bens que perdem valor rapidamente ou que não geram renda. É o caso do uso indiscriminado do cartão de crédito ou do cheque especial para comprar roupas, eletrônicos ou custear viagens. Esse tipo de endividamento tende a crescer em progressão geométrica, especialmente em cenários de juros elevados.
No cenário econômico brasileiro atual, o endividamento caro e mal planejado é um fator de preocupação. Quando as famílias comprometem grande parte de sua renda com juros de consumo, há uma queda natural no poder de compra. Esse fenômeno gera um efeito cascata: com menos consumo, as empresas vendem menos, o que pode desacelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Portanto, o problema central não reside no ato de ter uma dívida, mas sim na qualidade do endividamento. Saber diferenciar o crédito que constrói patrimônio daquele que consome a renda é o primeiro passo para a educação financeira e para a manutenção da saúde do orçamento doméstico.
Com informações do G1