Inflação dispara: guerra no Oriente Médio faz mercado prever estouro da meta em 2026 e juros em queda
Analistas do mercado financeiro elevaram a projeção de inflação para 2026 pela quinta semana consecutiva, passando a prever que a meta será superada este ano. O principal motivo apontado é a escalada da guerra no Oriente Médio.
De acordo com o Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira (13), a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve atingir 4,71% em 2026, acima da projeção anterior de 4,36%. A pesquisa foi realizada com mais de 100 instituições financeiras.
A alta do preço do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio – com o barril operando acima de US$ 100 nesta segunda-feira – é vista como o principal fator de pressão sobre a inflação brasileira, especialmente via aumento dos combustíveis. A inflação de março, divulgada na semana passada pelo IBGE, já demonstra esse impacto, com um aumento de 0,88% no mês, acima das expectativas do mercado.
Com a adoção do sistema de meta contínua, o BC busca manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%. A projeção atual de 4,71% supera o teto da meta, marcando o primeiro estouro previsto desde maio do ano passado. Apesar disso, o mercado financeiro continua projetando uma queda nos juros, com a taxa Selic estimada em 12,50% ao final de 2026, após o primeiro corte em quase dois anos.
As projeções para os próximos anos indicam uma inflação de 3,91% em 2027, 3,60% em 2028 e 3,50% em 2029. Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, a estimativa permanece em 1,85%, enquanto para 2027 a projeção é de 1,8%. O mercado também revisou para baixo a estimativa da taxa de câmbio, projetando R$ 5,37 por dólar ao final deste ano.
“Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento”, explica o texto. A alta da inflação pode impactar diretamente o orçamento familiar e a capacidade de consumo.
Com informações do G1