Endividamento dispara no Brasil: 12,3% das famílias não conseguem pagar as contas. Governo lança Desenrola 2.0 com descontos de até 90%
O percentual de famílias brasileiras que não conseguem honrar seus compromissos financeiros atingiu 12,3% em março, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O indicador demonstra uma tendência de alta nos últimos anos, com 11,5% em março de 2023 e 12,2% em 2025.
Paralelamente, o endividamento total das famílias alcançou um novo recorde, chegando a 80,4%, superando os 77,1% registrados em março de 2025. Apesar de uma leve melhora mensal, a inadimplência permanece em patamares elevados, com 29,6% das famílias com contas em atraso, um aumento em relação aos 28,6% de um ano atrás. A pesquisa da CNC é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores nas capitais e no Distrito Federal.
Diante desse cenário preocupante, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, uma nova versão do programa de renegociação de dívidas. A iniciativa oferece descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Além disso, permite o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com um mínimo de R$ 1 mil, para quitar débitos.
O programa Desenrola 2.0 é direcionado principalmente a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e abrange dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies. A estimativa do governo é liberar até R$ 8,2 bilhões para os trabalhadores. Para garantir a utilização correta dos recursos, o valor do FGTS será transferido diretamente ao banco credor, e os participantes ficarão impedidos de realizar apostas online por um ano.
A primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de pessoas e retirou cerca de 10 milhões de registros negativos de inadimplentes. Embora o programa tenha apresentado resultados positivos iniciais, o efeito na redução da inadimplência diminuiu com o tempo. O governo espera que o Desenrola 2.0 impulsione a recuperação financeira das famílias endividadas e contribua para a estabilidade econômica do país.
A pesquisa da CNC também aponta para mudanças no perfil das dívidas. O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, mas o crédito pessoal e o crédito imobiliário têm ganhado espaço. Em março de 2026, o atraso médio no pagamento de dívidas chegou a 65,1 dias, e as famílias destinam, em média, 29,6% da renda mensal para quitar débitos, levando cerca de 7,2 meses para se livrar das dívidas.
Com informações do G1