Um estudo inovador envolvendo 36 pesquisadores de diversas áreas e países revelou que o nevoeiro, comum na Amazônia, transporta e abriga microrganismos vivos essenciais para a saúde da floresta. A pesquisa identificou bactérias como a Serratia marcescens e fungos como o Aspergillus niger em gotículas suspensas a mais de 40 metros de altura.
Esses microrganismos, normalmente encontrados no solo, desempenham um papel crucial na decomposição da matéria orgânica e na liberação de nutrientes para as plantas. O estudo sugere que o nevoeiro atua como um meio de transporte, permitindo que esses organismos colonizem novas áreas da floresta, auxiliando na sua regeneração.

A pesquisa, publicada na revista Communications Earth and Environment, demonstra que as gotículas de nevoeiro oferecem proteção contra a radiação ultravioleta e a desidratação, criando um ambiente favorável à vida microbiana. O líder da pesquisa, Ricardo Godoi, da UFPR, descreve a neblina como um “hábitat microbiológico”.
Além de identificar os microrganismos presentes, os pesquisadores investigaram as implicações dessa descoberta para o ecossistema amazônico. Eles alertam que o aumento da temperatura e a redução da umidade, causados por queimadas, desmatamento e mudanças climáticas, podem diminuir a formação de nevoeiros, comprometendo a capacidade de regeneração da floresta.

O estudo também descobriu que os microrganismos transportados pelo nevoeiro podem contribuir para a fertilidade do solo, transformando nitrogênio atmosférico em amônio, um nutriente essencial para as plantas. Pesquisas anteriores do grupo de Godoi já haviam demonstrado a presença de microrganismos que convertem ferro e fósforo em compostos absorvíveis pelas plantas, vindos inclusive do deserto do Saara.
Os pesquisadores planejam realizar estudos mais aprofundados, utilizando técnicas avançadas como a metagenômica e a análise por raios X, para identificar outras espécies microbianas presentes no nevoeiro e entender melhor o seu papel no ecossistema amazônico.

Com informações do Portal Amazônia.