O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou que acionou, pela primeira vez, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição para este domingo (7). A medida é preventiva e visa garantir a estabilidade do fornecimento de eletricidade para a população brasileira.
Na prática, o ONS solicitou que as distribuidoras de energia reduzam a geração de eletricidade em suas redes. O objetivo central é manter o equilíbrio rigoroso entre a quantidade de energia produzida e a quantidade consumida. Sem esse ajuste, o sistema poderia enfrentar instabilidades, resultando em desligamentos em cascata que afetariam milhões de consumidores.
Este plano emergencial foi instituído no ano passado após a identificação de um risco real de colapso no sistema elétrico. O problema, paradoxalmente, não é a falta de energia, mas o excesso de produção proveniente de fontes renováveis, como a solar e a eólica.
A medida impacta diretamente a operação de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e a chamada micro e minigeração distribuída (MMGD). Esta última modalidade é composta por consumidores — como residências e empresas com painéis solares — que geram a própria energia e injetam o excedente na rede da distribuidora para obter descontos na conta de luz.
É importante destacar que essa geração distribuída ocorre fora da rede básica e não é controlada diretamente pelo ONS, mas sua magnitude impacta a operação global do Sistema Interligado Nacional (SIN). Como a geração eólica e solar depende de fatores climáticos, como a força dos ventos e a incidência de radiação solar, há períodos de superoferta.
Para este domingo, o ONS identificou que as condições climáticas estão altamente favoráveis à produção de energia renovável, enquanto a previsão de consumo é baixa, justificando a intervenção. “Para amanhã [este domingo], o Operador solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que estão sob sua responsabilidade. Esgotada essa providência, foi necessário colocar em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]. O ONS acionou as distribuidoras para que reduzissem geração sob sua área de concessão, uma vez que o Operador não possui controle sobre essas fontes”, afirmou o órgão.
A necessidade de criar esse mecanismo de controle surgiu após episódios registrados nos dias 4 de maio e 10 de agosto de 2025. Naquelas ocasiões, observou-se que o alto percentual de micro e minigeração distribuída no SIN poderia comprometer a capacidade de controle da frequência e da tensão do sistema, colocando em risco a segurança energética do país.
Com informações do G1