Entre as narrativas que passam por gerações na Amazônia, algumas se fundem com as propriedades da própria mata. É o caso da lenda da Paxiúba, que relata a trajetória de Milomaqui, um jovem indígena que teria dado origem a uma das palmeiras mais singulares da região

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A história, detalhada no livro ‘A Lenda de Paxiúba’ da escritora Terezinha Éboli, conta que Milomaqui, da aldeia dos Kamayurás, possuía um canto tão belo que adormecia quem o ouvisse e purificava os corações. Por causa disso, o cacique proibiu o menino de cantar, ameaçando retirar sua sombra, o que levou o jovem a fugir para a floresta

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Após tentar resistir ao desejo de cantar, Milomaqui acabou causando o sono eterno de uma jovem indígena. Ele se escondeu na mata até agosto, quando foi encontrado e, conforme a lenda, teve sua sombra retirada e foi enterrado. No local, surgiu a Paxiúba, uma palmeira de caule fino e folhas verdes. Diz a tradição que flautas feitas dessa madeira tocam as melodias do jovem, mas que apenas homens podem ouvi-las

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Além do mito, a Paxiúba é conhecida na Amazônia como a “palmeira andante” devido a uma característica biológica curiosa

. A planta desenvolve raízes expostas acima do solo e, ao criar novas raízes em pontos diferentes, consegue alterar sua posição gradualmente.
Esse movimento não é uma caminhada literal, mas um processo de crescimento radicular que permite ao tronco se fixar em outra direção, podendo se deslocar alguns metros do local original

. A espécie também se destaca por crescer tanto em áreas úmidas quanto em locais com menos água.
A Paxiúba segue como uma planta que gera fascínio na floresta. Enquanto a biologia explica o fenômeno da ‘palmeira que anda’, a história de Milomaqui mantém viva uma narrativa que integra o imaginário cultural amazônico
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Com informações do Portal Amazônia.