Leito do rio Tartarugalzinho em 2025. Foto: Divulgação/Prefeitura de Tartarugalzinho
A sede de Tartarugalzinho e ao menos oito comunidades rurais, no interior do Amapá, passam por um período crítico de seca devido à forte estiagem. Os impactos incluem o isolamento de populações, a morte de peixes e a dificuldade de obter água potável, já que os poços da região estão secando.
No dia 2 de outubro, a prefeitura decretou situação de emergência pelo quarto ano consecutivo. A medida visa assegurar apoio e recursos dos governos estadual e federal para atender as áreas mais atingidas e reduzir os danos causados pela estiagem no município.
Os pescadores, produtores rurais e agricultores familiares são os mais prejudicados. Além do impacto ambiental, a seca afeta a economia local, que é fundamental para o abastecimento de outras cidades do estado.

Registros feitos por moradores mostram peixes mortos boiando em locais que eram rios e que, agora, se tornaram pequenas poças.
Outro ponto crítico é a formação de grandes extensões de lama em áreas que serviam como vias de transporte fluvial, evidenciando a severidade da seca.
A mobilidade e a economia são os dois principais problemas enfrentados pelas comunidades. Sem condições de navegar, os moradores não conseguem transportar a pouca produção restante.

Ana Paula Foro, presidente da Colônia de Pescadores Z-12 de Tartarugalzinho, afirma que a pesca é a única fonte de renda para muitas famílias locais.
Ela relata que o aquecimento da água tem causado a morte de muitos peixes, e que os moradores sofrem com o mau cheiro provocado pelos animais mortos.
“Os pescadores não estão conseguindo sustentar suas famílias. Eles pescam o peixe e vendem para os atravessadores que transportam o produto para Macapá, Oiapoque e Porto Grande. Com a estiagem intensa e o excesso de lama, eles têm dificuldade para sair da comunidade e chegar aos locais de pesca”, disse Foro.
As áreas mais afetadas incluem a sede de Tartarugalzinho, a cidade de Itaubal e as comunidades de Lago Novo, Terra Firme, Ponta do Socorro, Andiroba, Nova Vida, Aporema, Tartarugal Grande, Duas Bocas e Bom Jesus.
“Na comunidade de Lago Novo é ainda pior por causa da influência da maré. Quando a água baixa, o lago fica reduzido a uma poça. Como as famílias dependem da pesca, elas ficam sem condições de capturar peixe para vender”, afirmou.
De acordo com a Defesa Civil Municipal, a seca intensificou-se mais cedo este ano, diferentemente de períodos anteriores, quando os efeitos mais graves ocorriam entre o fim de outubro e o início de novembro.

“A situação aqui está muito crítica. Nós já chegamos ao ápice da estiagem, nós já estamos com todo o município afetado pela estiagem, já estamos com escassez de recursos hídricos sem precedentes. Isso está comprometendo a pesca, a agricultura, a piscicultura e os poços já estão todos secos”, disse o coronel da Defesa Civil Roberto da Costa.
A prefeitura informou a criação de uma força-tarefa para socorrer as áreas mais atingidas, com a participação da Secretaria Municipal de Assistência Social, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
A situação de emergência é decretada pela prefeitura há quatro anos. No rio Tartarugalzinho, um dos principais cursos d’água da região, há trechos com pouca água e faixas de areia expostas; escadas de acesso ao rio agora estão totalmente visíveis, comprovando a queda do nível hídrico.
* Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica Amapá.
Com informações do Portal Amazônia.