S&P rebaixa nota de crédito do BRB e alerta para incertezas financeiras

A S&P Global, uma das principais agências de análise financeira e classificação de risco do mundo, anunciou um novo rebaixamento na nota de crédito do Banco de Brasília (BRB). A instituição, que já havia tido sua nota reduzida em março, passou do nível brB- para o patamar “brCCC+/brC”.

No mercado financeiro, o chamado “rating de crédito” é o indicador que mede a solidez de uma instituição e sua capacidade geral de honrar suas obrigações financeiras. O comunicado da agência cita a existência de uma “crescente incerteza” e aponta “riscos de execução associados ao plano de capitalização” do banco.

De acordo com os manuais técnicos da S&P, a classificação “brCCC” indica que a instituição está atualmente “vulnerável ao não pagamento em relação a outras obrigações nacionais”. O relatório detalha que o banco depende de condições favoráveis de negócios e financeiras para honrar seus compromissos.

A agência alerta ainda que, “no caso de condições adversas de negócios, financeiras ou econômicas, o emissor provavelmente não teria capacidade de honrar seus compromissos financeiros relativos à obrigação”.

A crise patrimonial do BRB intensificou-se nos últimos três anos devido a transações malsucedidas com o Banco Master. Entre as operações, houve uma tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, que acabou sendo barrada pelo Banco Central.

O cenário agravou-se com a operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, que resultou na prisão e no afastamento de dirigentes de ambas as instituições. Enquanto o Banco Master e outras empresas de seu conglomerado foram liquidados pelo Banco Central, o BRB — controlado pelo governo do Distrito Federal — tenta recuperar sua estabilidade.

Outra agência de risco, a Moody’s, também rebaixou a nota do banco em abril, mencionando o risco de default, termo técnico utilizado para designar o risco de calote.

Para tentar reverter a situação, o governo do Distrito Federal busca um acordo com a União, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos privados para a obtenção de um empréstimo de R$ 6,5 bilhões. O objetivo é reforçar o patrimônio da instituição e restaurar o “colchão” de segurança exigido pelas regras de prudência do sistema bancário brasileiro.

Atualmente, o BRB enfrenta críticas por atrasar a divulgação de seus balanços trimestrais e semestrais. A gestão do banco informou que pretende divulgar os dados financeiros, juntamente com o plano de solução, até o dia 30 de junho, caso o empréstimo bilionário seja viabilizado.

Com informações do G1

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