Stone anuncia demissão de mais de 300 funcionários em meio a negociação salarial. Sindicato denuncia ‘demissão em massa’
A Stone, empresa de tecnologia de pagamentos, demitiu mais de 300 trabalhadores na última terça-feira (10). O número exato não foi divulgado, mas representa cerca de 3% do quadro total de funcionários, estimado entre 11 mil e 12 mil pessoas.
Em nota oficial, a Stone justificou os desligamentos como “um ajuste pontual em sua estrutura como parte do processo contínuo de simplificação e ganho de eficiência”. A empresa garantiu que a operação continua normalmente, sem afetar clientes ou parceiros.
O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP) classificou os desligamentos como uma “demissão em massa” e expressou repúdio à atitude da companhia. A crítica se intensifica porque as demissões ocorreram durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria.
O Sindpd-SP acusou a Stone de prática antissindical, alegando que a medida demonstra “um desrespeito ao processo de negociação coletiva em curso”. Segundo o sindicato, a ação surpreendeu os trabalhadores e representantes da categoria, que esperavam estar em tratativas sobre condições de trabalho e direitos. “Demissões coletivas nesse contexto fragilizam o ambiente de negociação e pressionam indevidamente os trabalhadores, comprometendo o equilíbrio necessário nas tratativas”, afirmou o Sindpd-SP em nota.
A entidade argumenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que demissões em massa devem ser precedidas de negociação com o sindicato da categoria. Para o Sindpd-SP, a Stone desrespeitou esse entendimento ao realizar os cortes durante o processo de negociação coletiva. O sindicato informou que pretende buscar medidas na Justiça do Trabalho, incluindo o questionamento das demissões e um pedido de reintegração dos trabalhadores.
A Stone havia reportado lucro trimestral de R$ 707 milhões no período encerrado em dezembro, um aumento de 12% em relação ao mesmo trimestre de 2023. A notícia ocorre em um contexto de outras demissões no setor financeiro, como as recentes no Itaú, motivadas por avaliações de produtividade no trabalho remoto.
Com informações do G1