A partida entre Portugal e Croácia foi decidida nos detalhes mais sutis da tecnologia. Enquanto os portugueses venciam por 2 a 1, nos instantes finais do segundo tempo, a Croácia conseguiu empatar o placar. No entanto, a comemoração durou pouco: com o auxílio da tecnologia embarcada na bola, foi detectado um desvio que resultou em impedimento, anulando o gol e carimbando a classificação de Portugal.
A bola oficial da competição, batizada de Trionda e desenvolvida pela Adidas, funciona praticamente como um computador. Ela é equipada com sensores de movimento, inteligência artificial e possui até um sistema de carregamento por bateria, precisando ser conectada à tomada periodicamente para garantir o funcionamento.
Na prática, a Trionda coleta e transmite informações 500 vezes por segundo. Esse fluxo constante de dados é enviado em tempo real para o sistema de Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), permitindo que a arbitragem acompanhe cada movimento da bola com precisão milimétrica.
Embora a tecnologia de sensores já tenha sido utilizada na Al Rihla, bola da Copa do Mundo de 2022 no Catar, a Trionda traz evoluções estruturais. Enquanto no modelo anterior o sensor ficava suspenso no centro, agora ele está embutido em uma camada dentro de um dos quatro painéis da bola. Para evitar que isso afete a trajetória, a Adidas instalou contrapesos nos outros três painéis, mantendo o equilíbrio do objeto.
Além da redução no número de painéis — que caiu de 20 na edição anterior para apenas quatro agora —, a inteligência artificial cruza os dados da bola com o posicionamento dos jogadores. Isso agiliza a revisão de lances polêmicos, como toques de mão e impedimentos.
“Um dos nossos principais focos foi ajudar os árbitros a tomar decisões corretas o mais rápido possível, porque qualquer revisão do VAR interrompe o ritmo da partida”, afirmou Hannes Schaefke, líder de inovação em futebol da Adidas, em entrevista ao The Athletic em 2025.
O projeto foi realizado em parceria com a Kinexon, especialista em rastreamento esportivo. Mas as inovações da Fifa para 2026 não param na bola. A entidade também implementou a digitalização 3D dos atletas, criando avatares digitais para que os árbitros visualizem com mais clareza a posição do corpo dos jogadores no momento do toque na bola, tecnologia desenvolvida com a Lenovo.
Para as comissões técnicas, a novidade é o Football AI Pro. A ferramenta de IA analisa estatísticas, vídeos e posicionamento tático para gerar relatórios de desempenho pós-jogo, acelerando a análise estratégica das equipes.
Com informações do G1