Alemanha anuncia reformas para estimular economia e cortar impostos

O governo de coalizão da Alemanha anunciou, nesta quinta-feira (2), um amplo pacote de reformas estruturais. O objetivo central da medida é reaquecer a economia do país e aumentar a sua competitividade no cenário global, combatendo a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as principais medidas, destaca-se a redução de impostos para trabalhadores de baixa renda, a modernização do sistema de aposentadoria e a redução da burocracia para a abertura e operação de empresas.

No campo trabalhista, o plano propõe maior flexibilidade, facilitando a contratação por meio de contratos de curto prazo. Além disso, o governo pretende endurecer as regras para afastamentos por licença médica, medida que já gera polêmica. Markus Blumenthal-Beier, presidente da Associação Alemã de Clínicos Gerais, afirmou que a mudança nas regras de atestados seria “absolutamente catastrófica” e provocaria um congestionamento no sistema de saúde.

O pacote também abrange a área social e administrativa, com a previsão de construção de moradias populares e o combate a fraudes em benefícios sociais. Para reduzir custos operacionais, o governo planeja cortar 8% do quadro de funcionários dos ministérios federais através da digitalização de processos.

De acordo com o chanceler Friedrich Merz, o alívio tributário para os trabalhadores somará 10 bilhões de euros por ano. Para financiar essa medida sem desequilibrar as contas públicas, o governo aumentará a alíquota máxima do Imposto de Renda, que passará de 45% para 47% para quem recebe renda anual igual ou superior a 280 mil euros.

O mercado financeiro reagiu positivamente. Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, avaliou que “trata-se de um pacote robusto, concebido para fortalecer a Alemanha como destino de investimentos no longo prazo e colocar as contas públicas em uma trajetória sustentável”. No mesmo sentido, Marion Muehlberger, do Deutsche Bank Research, acredita que a capacidade do governo de chegar a um acordo sobre reformas estruturais deve acelerar o crescimento econômico na segunda metade do ano.

Por outro lado, sindicatos criticam a precarização dos direitos trabalhistas e a reforma da Previdência, que prevê a criação de um fundo de pensão inspirado no modelo sueco e o aumento gradual da idade de aposentadoria para lidar com o envelhecimento da população.

Economistas mais céticos, como Clemens Fuest, presidente do instituto Ifo, alertam para a falta de cortes de gastos. “A maior fraqueza do pacote é a ausência de medidas para conter os gastos públicos. O alívio tributário não será viável no médio prazo se o crescimento dos gastos do governo não for controlado”, pontuou.

O plano agora segue para análise e votação no Parlamento alemão.

Com informações do G1

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