A chegada do inverno e a ausência de chuvas trazem consigo o período de estiagem, um desafio crítico para a pecuária brasileira. Quando as pastagens secam, a oferta de alimento diminui drasticamente, dificultando a nutrição dos animais. Para mitigar esse risco, a silagem surge como a principal estratégia para garantir o ganho de peso e a manutenção da produção de leite.
A silagem consiste na conservação de forragens úmidas por meio de um processo de fermentação anaeróbica, permitindo que o produtor armazene alimento nutritivo para os meses de escassez. Em Pederneiras (SP), o pecuarista Paulo Vitor Garcia exemplifica a eficiência do método ao utilizar a silagem de milho embolsada, com estruturas de armazenamento sob lonas que comportam até 100 toneladas.
Do ponto de vista de gestão de custos e planejamento agrícola, a estratégia é rigorosa: Garcia destina 40% de seus hectares para o plantio do cereal. Segundo o produtor, o milho é o grão mais eficiente para a nutrição do gado. A capacidade de armazenar a silagem por longos períodos oferece segurança financeira ao pecuarista, pois evita a necessidade de vender animais a preços desfavoráveis durante o inverno, prática comum quando o produtor não consegue manter o rebanho devido ao pasto seco.
A importância técnica da prática é reforçada pelo zootecnista Márcio Luiz de Oliveira. Ele explica que bois, por serem animais ruminantes, necessitam de fibras de qualidade para a produção eficiente de energia. Sem a complementação alimentar, é comum que o gado perca peso durante a estação de dias mais curtos e menor oferta nutricional.
Além do milho, outras inovações tecnológicas são aplicadas no campo. Em Ocauçu (SP), a pecuarista Dárcia Fiabane utiliza a técnica de DDG (sigla em inglês para “grãos secos e destilaria”), que consiste em uma mistura de massa de milho, sorgo e casca de amendoim diluída em água no momento da oferta no cocho.
Para Fiabane, garantir a densidade energética da dieta é fundamental para a saúde do rebanho, visto que a pastagem isolada torna-se insuficiente nos momentos de maior demanda energética dos animais. A adoção dessas tecnologias de nutrição transforma a sazonalidade climática em um fator controlável, estabilizando a oferta de proteína animal no mercado.
Com informações do G1