O Ministério da Fazenda avalia que a economia brasileira deve sentir um impacto reduzido caso os Estados Unidos decidam aplicar novas taxas de importação sobre produtos nacionais. A possibilidade de novas tarifas surge no contexto de uma investigação baseada na chamada Seção 301, um mecanismo do governo americano para combater práticas comerciais consideradas desleais.
A investigação, concluída em 1º de junho, aponta que o Brasil adotaria práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os pontos citados estão o desmatamento ilegal, a pirataria e até o funcionamento do sistema PIX. Como resposta a esses apontamentos, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre diversas mercadorias brasileiras.
Apesar do cenário, a pasta da Fazenda destaca que as exportações brasileiras já demonstraram resiliência. O setor enfrentou um “tarifaço” em agosto do ano passado e apresentou uma recuperação gradual a partir de novembro, indicando capacidade de adaptação do mercado externo.
De acordo com análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no “Boletim MacroFiscal”, o peso do mercado americano é limitado diante do volume total de vendas externas. “Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma”, afirma o documento.
O governo acredita ainda que a aplicação das tarifas preveja exceções para diversos produtos, o que manteria o impacto agregado em níveis modestos. Além disso, medidas de apoio implementadas no ano passado — focadas em crédito, liquidez e diversificação de mercados — devem ajudar a mitigar os efeitos nos setores mais expostos.
Paralelamente às tensões comerciais, o Brasil monitora a instabilidade no Oriente Médio, especificamente o conflito entre Estados Unidos e Irã. A SPE ressalta que o cenário internacional segue marcado por “elevada incerteza”.
A análise aponta que a assinatura de um acordo de trégua entre as duas potências ajudou a reduzir o prêmio de risco sobre a oferta de petróleo, fazendo com que a cotação do petróleo Brent recuasse momentaneamente para níveis próximos aos de março. No entanto, a interrupção do cessar-fogo na última semana voltou a pressionar os preços da commodity.
Para a Secretaria de Política Econômica, a reescalada do conflito representa um risco altista para os preços de energia e, consequentemente, um risco baixista para a atividade econômica mundial, podendo influenciar a inflação global e os custos de produção.
Com informações do G1