Novo álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia

Anitta e indígena no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube- Anitta

O álbum Equilibrium II, da cantora Anitta, dedica uma música em homenagem aos povos indígenas brasileiros na faixa ‘Oke’, que encerra o álbum com uma proposta de unir ancestralidade, tecnologia e diversidade cultural. Segundo a própria artista, a música foi criada para celebrar os povos originários e conta com a participação dos Bros MCs, grupo indígena de rap, e da rapper e cantora Katú Mirim.

Na apresentação da faixa, em um vídeo publicado em seu canal do Youtube (abaixo), Anitta afirma que o videoclipe traz uma ‘rave indígena’, reunindo pessoas de diferentes povos, corpos e culturas em um ambiente que mistura elementos da natureza, da tecnologia e da sabedoria ancestral. A cantora também destaca referências à força da floresta, à espiritualidade de Oxóssi e à valorização do conhecimento indígena contemporâneo.

“Não existe outra maneira de usar a tecnologia, a inteligência artificial e toda evolução das máquinas se não for com a sabedoria ancestral das matas, das florestas e dos povos indígenas. Quando misturamos as duas coisas, temos a excelência, o equilíbrio perfeito. Então a gente termina o álbum com essa faixa super potente “, afirmou a cantora.

Povos indígenas da Amazônia que são citados em Equilibrium ll

Povo Ticuna (maior população indígena da Amazônia brasileira)

Os Ticuna, também grafados como Tikuna, são originários da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. No território brasileiro, concentram-se principalmente nos municípios amazonenses de Tabatinga e São Paulo de Olivença, formando a maior etnia indígena da Amazônia.

Álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia 
Balada indígena representada no videoclipe da música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), os Ticuna constituem o povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, com uma história marcada pela invasão de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões. Segundo seus mitos de origem, o povo surgiu no igarapé Eware, localizado entre Tabatinga e São Paulo de Olivença.

Povo Mura

Outro povo citado é o Mura, cuja ocupação abrange as bacias dos rios Madeira, Amazonas e Purus, no estado do Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Mura ocupam mais de 40 Terras Indígenas, mantendo sua presença histórica em regiões do Amazonas como Autazes, Borba, Manaus, Careiro da Várzea, Manaquiri, Manicoré e Novo Aripuanã.

Povos Turiwara e Guajajara

Também aparece na música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II, o povo Turiwara, originário do nordeste do Pará, especialmente dos municípios de Tomé-Açu e da região do Vale do Acará.

Já os Guajajara habitam a margem oriental da Amazônia, no estado do Maranhão. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo guajajara são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil e ocupam mais de dez Terras Indígenas na região central do estado. 

Povo Yanomami

Os Yanomami, outro povo mencionado no álbum Equilibrium II, vivem na floresta tropical situada entre o Brasil e a Venezuela, ocupando a maior Terra Indígena do país, distribuída entre os estados de Roraima e Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo Yanomami constitui uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta amazônica e ocupam aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados na região de fronteira entre Brasil e Venezuela. 

Povos Kayapó e Munduruku 

O povo Kayapó vive no sul do Pará e no norte do Mato Grosso, em uma extensa área de transição entre o Cerrado e a Amazônia, principalmente nas bacias dos rios Iriri, Bacajá e Fresco, afluentes do rio Xingu.

Já o povo Munduruku ocupa principalmente a bacia do rio Tapajós, distribuídos pelos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Munduruku ficaram conhecidos historicamente como um povo de tradição guerreira e concentraram sua ocupação no chamado Vale do Tapajós, região anteriormente conhecida como ‘Mundurukânia’. 

Povo Ashaninka

Entre os povos lembrados por Anitta no álbum Equilibrium II, também estão os Ashaninka, que vivem entre o Acre e o Peru. De acordo com o Instituto Socioambiental, a maior parte do povo ashaninka está localizado na Amazônia peruana, enquanto, no Brasil, concentra-se principalmente na região do Alto Juruá.

Povos Kalapalo e Macuxi

A música também faz referência ao povo Kalapalo, que vive na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, e aos Makuxi, habitantes da região do Monte Roraima, entre Brasil, Guiana e Venezuela. No Brasil, os Makuxi concentram-se principalmente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Assista ao videoclipe da música ‘Oke’, do ábum equilibrium II:

Participação de artistas indígenas reforça protagonismo no projeto

Além de citar diversos povos originários na letra de ‘Oke’, Equilibrium II também aposta na participação de artistas indígenas no videoclipe. A proposta vai além da representação simbólica e busca dar espaço para que indígenas sejam protagonistas da narrativa construída pela produção.

Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o influenciador indígena Victor Peroná, afirma que o álbum Equilibrium II se diferencia por colocar pessoas indígenas no centro da produção artística, em vez de utilizá-las apenas como referência estética.

“Mais do que uma música, ela apresenta uma imagem que quase nunca nos permitiram estar. A da alegria, a da celebração, a da felicidade da nossa existência. Isso parece ser muito simples, mas faz toda a diferença”, destacou o influenciador. 

Outro ponto destacado por ele é que o álbum Equilibrium II valorizou profissionais indígenas em diferentes etapas da produção. Além dos cantores, o videoclipe reúne atores, dançarinos, artistas visuais e utiliza roupas e acessórios produzidos por indígenas, ampliando a visibilidade desses profissionais para um público nacional e internacional.

Cantora indígena Kaê Guajajara no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

Entre os nomes que aparecem no videoclipe está a artista indígena amazônida Kae Guajajara, uma das representantes da nova geração de artistas indígenas brasileiros. Natural do Maranhão e pertencente ao povo Guajajara, ela desenvolve sua trajetória artística voltada para a valorização dos povos originários e da Amazônia. 

Vezes em que Anitta visitou terras indígenas 

A primeira vez em que Anitta esteve presente em uma Terra Indígena foi em 2025, quando visitou a aldeia Kuikuro no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Na ocasião, a cantora participou da cerimônia Kuarup, conversou com um dos líderes indígenas e recebeu pinturas tradicionais pelo corpo como apoio ao povo.  

Top usado por Anitta durante encontro foi feito por indígenas do Amazonas. Foto: Reprodução/ g1 Am

Além da visita a aldeia Kuikuro, Anitta também visitou a aldeia Piaraçu (Terra Indígena Capoto-Jarina). Durante o passeio, a cantora usou peças artesanais feitas por indígenas do Amazonas e conversou o líder histórico Cacique Raoni.

Com informações do Portal Amazônia.

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