O Spotify, maior serviço de streaming de música do mundo, anunciou nesta terça-feira (11) a criação de um novo sistema de identificação para perfis de artistas. A partir de meados de setembro, a plataforma implementará o selo “AI Persona”, destinado a marcar criadores de conteúdo que não são seres humanos, mas sim entidades geradas por inteligência artificial (IA).
A decisão surge como uma resposta direta ao feedback dos usuários, que expressaram desconforto ao interagir com perfis que simulam a aparência e a identidade humana, apenas para descobrir posteriormente que a música e a imagem foram produzidas por algoritmos. “Os ouvintes nos disseram claramente que não gostam de ver um perfil de artista que parece humano e depois descobrir que a pessoa foi gerada por IA”, afirmou a empresa em comunicado oficial.
Essa movimentação faz parte de uma estratégia maior da companhia sueca para aumentar a transparência no ecossistema musical. Com a popularização de ferramentas de IA generativa, a indústria da música tem enfrentado debates intensos sobre direitos autorais, autenticidade e a substituição de talentos humanos por produções sintéticas.
Para reforçar a segurança dos usuários, o Spotify já havia lançado em abril o selo “Verificado pelo Spotify”, que atesta que um perfil passou por análise e cumpre critérios rigorosos de autenticidade. Agora, a empresa pretende cruzar essas informações: além dos artistas que se autodeclarem como “AI Persona”, a plataforma também aplicará a etiqueta a perfis que se encaixem nos critérios de criação artificial, mesmo que não haja declaração prévia.
Um ponto crucial da nova política é a visibilidade desses artistas virtuais. O Spotify informou que perfis identificados com o selo “AI Persona” serão excluídos das recomendações editoriais e das playlists personalizadas da plataforma. A única exceção ocorre quando o próprio usuário decide seguir o criador fictício, passando a receber o conteúdo por escolha deliberada.
A medida visa proteger a experiência do ouvinte e valorizar a produção artística humana, garantindo que a tecnologia sirva como ferramenta de apoio, e não como um meio de enganar o público sobre a origem da obra musical.
Com informações do G1