A produção de petróleo no Oriente Médio deve continuar operando com interrupções parciais até o final de 2027. A informação foi divulgada em um relatório publicado nesta terça-feira (11) pela Administração de Informação Energética (EIA), agência do governo dos Estados Unidos.
De acordo com o documento, estima-se que cerca de 600 mil barris diários de produção na região permaneçam fora de operação nos próximos anos. O motivo principal é a dificuldade de alguns produtores em retomar os níveis de extração registrados antes do agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A EIA alerta que essa redução na oferta deve persistir mesmo que os fluxos comerciais sejam normalizados ao longo do próximo ano. Para se ter uma ideia da magnitude do impacto, em julho, o volume de produção interrompida na região chegou a atingir a média de 5,5 milhões de barris por dia.
O mercado de petróleo tem enfrentado forte volatilidade desde o final de fevereiro. Esse cenário é alimentado por declarações do presidente americano, Donald Trump, impasses nas negociações de paz entre Washington e Teerã e, crucialmente, o fechamento do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e o Irã, é um dos pontos mais estratégicos do comércio global, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Ele serve como a principal rota para navios que levam a commodity da região produtora para a Ásia, Europa e Américas.
Com a instabilidade geopolítica, diversos países interromperam a produção de petróleo e gás por precaução. Essa queda na oferta reduziu os estoques globais da commodity, o que impulsionou os preços de energia em escala mundial.
Esse aumento nos custos de energia gera um efeito cascata que atinge a inflação global. Como consequência, bancos centrais de diversos países já manifestaram preocupação e alertaram para a possibilidade de um aperto monetário, com o consequente aumento das taxas de juros para conter a alta dos preços.
Na prática, juros mais altos encarecem o crédito, dificultando empréstimos para famílias e reduzindo a capacidade de investimento das empresas. Embora essa medida seja utilizada para frear a inflação, ela costuma provocar uma desaceleração da atividade econômica e limitar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Com informações do G1