ApexBrasil libera R$ 210 milhões para ajudar empresas afetadas por tarifas dos EUA

A ApexBrasil anunciou, nesta terça-feira (11), a implementação de um plano de apoio financeiro e estratégico voltado a empresas brasileiras impactadas pelas novas tarifas de importação impostas pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump.

Para enfrentar esse cenário, a agência destinará R$ 210 milhões para auxiliar companhias de 35 setores diferentes. O objetivo central é a diversificação de mercados, reduzindo a dependência econômica do mercado norte-americano. Os recursos serão aplicados em consultorias especializadas, bolsas de exportação, participação em feiras internacionais e reuniões de negócios.

Com duração de 12 meses, o programa pretende atender 5,3 mil das 5,6 mil empresas atingidas pelas novas taxas. Um ponto fundamental para os empresários é que o auxílio não funciona como um empréstimo; portanto, não haverá cobrança de juros ou taxas sobre os valores recebidos.

As inscrições começam nesta quarta-feira (12) por meio do site da ApexBrasil. No processo de cadastro, a empresa deve detalhar seus dados de exportação e a finalidade do apoio solicitado. A análise será individualizada para que cada caso receba um auxílio específico.

Segundo Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a intenção não é recuperar o investimento de R$ 210 milhões, mas sim “preparar as empresas brasileiras para exportar”. Entre os destinos apontados para a diversificação das vendas externas estão Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China.

Como parte da estratégia de expansão para a África e Ásia, Müller revelou em exclusividade ao g1 que abrirá, em 2 de setembro, um escritório em Adis Adeba, na Etiópia. Sobre a Ásia, o presidente destacou o foco nos países da ASEAN (bloco que inclui Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura) e a exploração do interior da China.

O chamado “tarifaço” americano consiste em duas frentes: uma tarifa de 25% sobre produtos sob investigação de práticas comerciais desleais e uma sobretaxa de 12,5% relacionada ao combate ao trabalho forçado. Quando ambas incidem sobre o mesmo produto, a carga tributária chega a 37,5%.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que 23,1% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a essas sobretaxas, enquanto outros 24,2% são atingidos por tarifas setoriais da Seção 232. No entanto, 52,7% das exportações — incluindo café, carnes, aeronaves e celulose — permanecem isentas, o que justifica a estratégia de reduzir a dependência sem abandonar totalmente o mercado americano.

A medida ocorre em um momento de retração: no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil caiu de 12,1% para 9,4%.

Com informações do G1

Deixe um comentário