Fitch eleva nota de crédito do Rio de Janeiro para o nível máximo

A Fitch Ratings, reconhecida como uma das principais agências de classificação de risco global, aumentou a nota de crédito nacional de longo prazo da cidade do Rio de Janeiro para “AAA”. Este nível representa o grau de investimento de maior qualidade disponível. A instituição apontou uma perspectiva de estabilidade, ressaltando que o município carioca demonstrou “melhoras consistentes na gestão fiscal” nos últimos anos.

Para justificar a subida da classificação, que saltou de “AA+” para “AAA”, a Fitch mencionou que os indicadores da cidade revelaram “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez”. Além disso, a agência manifestou a crença de que a “dívida do Rio diminuirá gradualmente ao longo do horizonte do rating”.

Houve também uma atualização no Perfil de Crédito Individual (PCI), que mede a saúde financeira da cidade sem contar com auxílios externos. O índice subiu de “BB” para “BB+”, situando o risco em um patamar “médio a baixo”, com a manutenção de uma perspectiva estável para este indicador específico.

A decisão da agência baseou-se em diversos fundamentos técnicos. O Perfil de Risco foi classificado como ‘Médio a Baixo’ e o Perfil Financeiro na Categoria ‘A’. Sobre a Robustez das Receitas, a nota foi ‘Média’, pois o “município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis”.

Já a Ajustabilidade das Receitas foi considerada ‘Fraca’, devido à “dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais”. Quanto à Sustentabilidade das Despesas, a nota foi ‘Média’, observando que o “Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento”.

A Ajustabilidade das Despesas também foi vista como ‘Fraca’, dada a “baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas”. No quesito Robustez de Passivos e Liquidez, a nota foi ‘Média’, justificando que o “Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo”. A Flexibilidade de Passivos e Liquidez também ficou em ‘Média’, com o Rio reportando um índice médio de liquidez de 67,1%, abaixo do limite de 100% estabelecido pela Fitch.

Em uma análise comparativa, a Fitch Ratings indicou que o Estado de São Paulo é o par mais próximo do Rio, também possuindo rating nacional de longo prazo AAA e perspectiva estável. Ambos compartilham perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. Contudo, a agência pontuou que o índice de payback do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”.

É importante notar que, na escala global, a classificação de estados e municípios brasileiros deve estar vinculada ao teto soberano do Brasil, que atualmente permanece em “BB”, com perspectiva estável.

A nota de crédito é um indicador representado por letras e números (variando de D, a menor, até AAA, a maior) que divide as entidades entre grau especulativo e grau de investimento. Esse índice permite que investidores analisem se vale a pena aplicar capital em determinada região, avaliando a estabilidade econômica e o risco de perda do valor investido.

Essa avaliação funciona como um parecer independente sobre o risco da dívida do ente analisado. Para muitos fundos de pensão internacionais, especialmente da Europa e Estados Unidos, existem regras rígidas que permitem investimentos apenas em títulos com grau de investimento, tornando essa nota essencial para a captação de recursos externos.

Com informações do G1

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