Irã afirma que ‘Dia D econômico’ de Trump resultará em derrota para os EUA

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta quinta-feira (20) que a estratégia denominada “Dia D Econômico”, implementada pelos Estados Unidos, serve apenas como uma distração para os problemas econômicos internos da potência americana. Araqchi alertou que o aumento da pressão financeira não terá sucesso e afirmou que a decisão de Donald Trump trará “mais derrota” aos Estados Unidos.

Anteriormente, na quarta-feira (19), o presidente Donald Trump anunciou a execução do que classificou como a “operação econômica mais esmagadora” já aplicada a uma nação. O plano consiste em promover uma guerra econômica e o isolamento do Irã, incluindo a ameaça de punir qualquer país que colabore para a manutenção da atividade econômica iraniana.

Em publicação oficial, Trump foi enfático: “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES”.

O presidente americano também exigiu a interrupção imediata de diversas práticas financeiras e logísticas. “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são”, escreveu.

Apesar do tom rigoroso, Trump não detalhou os mecanismos operacionais da ofensiva nem especificou as sanções que serão aplicadas aos países parceiros do Irã. Ele reiterou a expectativa de que seus aliados trabalhem conjuntamente para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”.

A medida é justificada pelo governo americano devido à ausência de um acordo diplomático. As negociações para a interrupção do programa nuclear do Irã, iniciadas no começo do ano, fracassaram, resultando no atual cenário de conflito. Segundo Trump, o objetivo da guerra econômica é asfixiar a economia do país.

Entretanto, especialistas questionam a eficácia de novas sanções, já que o Irã já enfrenta diversas restrições que dificultam seu comércio exterior. Em janeiro, Trump já havia estabelecido uma tarifa de 25% para nações que realizassem negócios com o Irã.

Mesmo sob pressão, o Irã mantém parcerias comerciais robustas, impulsionadas por sua posição como grande produtor de petróleo. Dados do Banco Mundial indicam que, em 2022, o país exportou mercadorias para 147 nações.

Atualmente, a China lidera a lista de parceiros comerciais. Em 2022, o Irã exportou US$ 22 bilhões para os chineses e importou US$ 15 bilhões. A Índia ocupa a segunda posição; nos primeiros dez meses de 2025, o comércio bilateral somou US$ 1,34 bilhão, com destaque para a exportação indiana de arroz, frutas, verduras e medicamentos.

Outros parceiros relevantes incluem Alemanha, Coreia do Sul e Japão, todos aliados estratégicos dos EUA. No caso do Brasil, o Irã não está entre os 20 principais parceiros comerciais, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas permanece como um destino chave no Oriente Médio.

Em 2025, as importações brasileiras do Irã totalizaram US$ 84,5 milhões, focadas em ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações brasileiras para o país somaram US$ 2,9 bilhões, com predominância de milho, soja e açúcar.

Com informações do G1

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