Petróleo sobe para US$ 107 e atinge patamar mais alto desde maio

O preço do petróleo registrou nova alta nesta quinta-feira (10), impulsionado pelo agravamento da guerra no Oriente Médio. O barril do Brent, que serve como referência para o mercado internacional, avançou 6,3% e encerrou o dia em US$ 107,63, tendo ultrapassado a marca de US$ 108 durante a sessão — o valor mais elevado desde maio, quando chegou a US$ 114.

A valorização da commodity tem sido acelerada desde o começo de julho, período em que o Brent era cotado abaixo de US$ 72. Desde então, a alta acumulada supera 49%, reflexo do receio de que o conflito bélico continue a comprometer o fluxo global de petróleo.

A subida desta quinta-feira foi motivada pela tomada de Moca, cidade portuária estratégica no sudoeste do Iêmen, pelos Houthis, grupo aliado ao Irã. A região é utilizada como uma via alternativa para o escoamento de petróleo da Arábia Saudita.

Além de assumirem o controle do porto no Mar Vermelho, os Houthis ameaçaram atacar embarcações sauditas e intensificaram ofensivas contra a infraestrutura energética do país, elevando a pressão sobre a Arábia Saudita, que figura como um dos principais exportadores mundiais de petróleo.

O fluxo pelo Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte do óleo, já estava prejudicado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. Com a interrupção de novos pontos de escoamento, cresceu o temor de uma redução na oferta global, o que pressiona os preços para cima.

Este cenário gera preocupação na gestão do presidente Donald Trump. O encarecimento do petróleo impacta a inflação e os juros nos Estados Unidos, pois eleva os custos dos combustíveis e de diversos produtos transportados para o varejo.

O movimento ocorre a dois meses das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, previstas para novembro, que definirão a composição do Congresso. Na quarta-feira, Trump afirmou que “os preços do petróleo provavelmente não vão cair até depois do pleito”.

As ações dos Houthis colocam em risco o tráfego marítimo pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que se tornou essencial para a Arábia Saudita após os problemas em Ormuz. Bab el-Mandeb conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho e integra a rota principal entre Ásia e Europa via Canal de Suez.

O estreito possui cerca de 100 quilômetros de extensão e 30 quilômetros de largura, situando-se entre Ras Menheli, no Iêmen, e Ras Siyyan, no Djibuti, delimitando a passagem para o Golfo de Áden.

No Brasil, o governo reagiu à escalada dos preços. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na quarta-feira, um decreto que eleva o subsídio da gasolina de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro. A medida também zerou os tributos sobre o etanol hidratado, resultando em uma redução de R$ 0,19 por litro.

Adicionalmente, foi publicada uma medida provisória (MP) que autoriza uma subvenção de R$ 1,00 por litro para o diesel. Esse valor soma-se ao subsídio de R$ 1,12 vigente até 26 de setembro, totalizando um benefício de R$ 2,12 por litro no período.

Em resposta à queda de R$ 0,63 nos tributos federais da gasolina, a Petrobras anunciou que suspenderá o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A (combustível puro vendido às distribuidoras). Com isso, o preço médio de venda da gasolina A passará a ser de R$ 3,05 por litro.

A petroleira informou que, ao considerar os tributos, a redução líquida final no preço será de R$ 0,19 por litro. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 30 de agosto e 5 de setembro, a gasolina custava em média R$ 6,51, o diesel S-10 R$ 6,88 e o etanol hidratado R$ 3,95 por litro.

Com informações do G1

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