Trump critica juros nos EUA e diz que dirigentes do Fed querem ver país mal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (7) que os dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central do país, “gostariam de ver o país ir mal”.

A fala ocorreu após o presidente ser questionado por um jornalista sobre os custos de financiamento imobiliário, que permanecem em patamares elevados no território americano.

As taxas de hipotecas são geralmente impactadas pelo nível dos juros na economia dos EUA. Na última semana, os juros para financiamentos imobiliários com prazo de 30 anos atingiram o nível mais alto em quase três anos.

Trump elogiou Kevin Warsh, presidente do Fed e indicado por ele para a função, mas criticou os demais membros do conselho da instituição. Segundo o presidente, “gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair”.

Durante a ocasião no Salão Oval, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, relacionou a inflação alta a um “choque de energia”.

“Assim que estivermos do outro lado desse conflito com o Irã, o mercado de energia estará bem abastecido e caminharemos em direção à meta do Fed. As taxas de hipoteca e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltarão a cair”, afirmou Bessent.

Sob a gestão de Warsh, o Fed promoveu a primeira elevação da taxa de juros em mais de três anos. No mês passado, o índice subiu 0,25 ponto percentual, situando-se na faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde julho de 2023.

A decisão interrompeu um ciclo de cinco reuniões com taxas estáveis. O movimento foi motivado, entre outros fatores, pela subida do preço do petróleo devido às tensões no Oriente Médio, o que elevou a preocupação do Fed com a inflação.

Em nota, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou que a atividade econômica americana mantém uma expansão sólida e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, mesmo diante de incertezas geopolíticas.

O comitê explicou que a alta dos juros visa cumprir o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e estimular o emprego máximo. Projeções indicam que a maioria dos membros do Fed prevê ao menos mais um aumento de 0,25 ponto em 2026.

Questionado sobre a pressão de Trump por juros menores, Kevin Warsh foi breve: “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla.”

Warsh ressaltou que a inflação não apresentou melhoras expressivas, afirmando que “O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”.

Em agosto, o CPI (índice de preços ao consumidor) registrou 3,4% em 12 meses, valor acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. O presidente do banco central mencionou que os dados do verão americano não indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente.

A inflação subjacente é o indicador que mede a tendência de preços a longo prazo, excluindo itens voláteis como energia e alimentos.

Warsh justificou a alta dos juros apontando que diversas categorias de preços apresentavam inflação superior a 3% em períodos de seis e doze meses. “Precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando claramente para nosso objetivo e em uma velocidade suficiente. Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido”, concluiu.

Por fim, o presidente do Fed reiterou que a diretoria do banco central concorda que a economia dos Estados Unidos “parece estar se fortalecendo”.

Com informações do G1

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