Problemas financeiros do DF começaram em 2015 e pioraram com crise do BRB

Crise do BRB agrava fragilidade financeira do DF, que já enfrentava dificuldades desde 2015, aponta estudo da UnB

Um estudo do ObservaDF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), revela que a fragilidade dos cofres públicos do Distrito Federal tem raízes em 2015, mas foi significativamente intensificada pela crise do Banco de Brasília (BRB) relacionada ao Banco Master.

O relatório analisa as contas públicas do DF entre 2015 e 2024, concluindo que, embora o endividamento não seja alto, o governo enfrenta sérios problemas de fluxo de caixa. O fluxo de caixa, essencialmente, é a previsão de entradas e saídas de dinheiro. Um fluxo problemático, como o atual, indica que o DF pode gastar toda a receita arrecadada, ou até mais, sem recursos para obras, investimentos e imprevistos.

De acordo com o estudo, o DF consome praticamente toda a sua receita, limitando investimentos e a capacidade de responder a choques econômicos, como a crise desencadeada pelas operações malsucedidas do BRB com o Banco Master. O GDF pode enfrentar um impacto fiscal bilionário devido à crise, impulsionado por operações problemáticas, a necessidade de capitalizar o BRB, o papel do GDF como acionista controlador e a pressão sobre as contas públicas.

A situação fiscal do DF foi analisada sob as administrações de Rodrigo Rollemberg (2015–2018) e Ibaneis Rocha (2019–2024). Durante o governo Rollemberg, o DF enfrentou uma crise fiscal, com um déficit de R$ 6,5 bilhões em 2015, levando a atrasos salariais, cortes de investimentos e a alegação de que as dívidas eram provenientes da gestão anterior, de Agnelo Queiroz (PT). Em 2024, o DF registrou o quarto pior resultado do país em disponibilidade de caixa líquida.

O estudo aponta que o DF opera com disponibilidade de caixa negativa e poupança corrente próxima de zero, sem margem para absorver um impacto patrimonial da magnitude que o BRB pode representar. As estimativas apontam para um possível rombo de até R$ 13 bilhões. Apesar do baixo endividamento, quase toda a receita é consumida por despesas correntes, resultando em uma classificação negativa de sua capacidade de pagamento (Capag), impedindo o uso da União como garantidora de empréstimos.

O governo já publicou decretos limitando gastos e cortando contratos em resposta à crise. Miriam Leitão afirmou: “BRB é o caso mais concreto de corrupção no Master”. O relatório enfatiza que o choque fiscal é grave porque o DF já apresentava fragilidade de fluxo, com sinais de “pressão sobre o caixa” desde o início do ano.

Com informações do G1

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