Biodiversidade na Amazônia: por que florestas primárias são insubstituíveis

Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido alerta que as florestas primárias — aquelas que nunca foram desmatadas — continuam sendo as principais guardiãs da biodiversidade na Amazônia. Mesmo quando afetadas por queimadas ou corte seletivo de árvores, essas áreas abrigam significativamente mais espécies do que as florestas secundárias, que surgem após a regeneração de áreas derrubadas.

A pesquisa, publicada na revista Global Change Biology, analisou cerca de 55 mil árvores em regiões do Pará, especificamente nos municípios de Paragominas e Santarém. Os dados mostram que as modificações humanas explicam 55% da variação na diversidade de espécies, evidenciando que a regeneração natural não consegue repor totalmente a riqueza biológica das matas originais

FLORESTA AMAZÔNICA NO AMAPÁ
Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

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“Por mais que as florestas primárias degradadas sejam menos diversas e tenham um apanhado de espécies diferentes daquelas que não sofreram impactos, elas são muito mais diversas do que as florestas secundárias”, explica Cássio Alencar Nunes, pesquisador da Universidade de Lancaster e da UFLA. Segundo ele, as áreas regeneradas podem levar séculos para recuperar árvores de grande porte e seus serviços ecossistêmicos.

O estudo também questiona a ideia de que o manejo sustentável, como a exploração seletiva de madeira, não cause danos. Para a pesquisadora Erika Berenguer, as influências humanas são tão profundas que alteram a perda de espécies e as funções ecológicas da floresta, tornando a conservação de áreas intactas uma prioridade absoluta.

Diante desse cenário, especialistas defendem a importância de fundos globais, como o TFFF estabelecido na COP30, para financiar a proteção dessas áreas. A biodiversidade é vista como a engrenagem que garante a provisão de serviços essenciais, incluindo o sequestro e armazenamento de carbono, fundamentais para combater a crise climática global.

Com informações do Portal Amazônia.

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