Zona Franca de Manaus e preservação: o que os dados revelam sobre a região

O modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM), instituído pelo DL 288/67 para criar um centro industrial e agropecuário no interior da Amazônia, acabou por concentrar 95% da produção e renda na capital amazonense. Segundo o economista Osíris M. Araújo da Silva, esse desvio de finalidade criou um vácuo estratégico, deixando de lado o fortalecimento da bioeconomia regional.

A ideia de que a ZFM é a principal responsável pela preservação florestal é contestada por dados do PRODES/INPE. Em 2025, o desmatamento na Amazônia Legal registrou 5.796 km², com o Amazonas respondendo por 13% a 16% desse total. Áreas de pressão agropecuária, como a região da Amacro — divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia —, continuam exigindo fiscalização rigorosa [[IMG_1]].

O cenário crítico se estende aos municípios de Lábrea e Apuí (AM), além de Colniza (MT), que figuram entre os que mais derrubaram florestas. O autor destaca que o estado do Amazonas detém recordes alarmantes: cinco das dez terras indígenas mais afetadas e cinco dos dez assentamentos com maior perda de cobertura vegetal estão no estado.

Além do impacto ambiental, a desigualdade social é evidente. De acordo com o IBGE, Manaus concentra seis das 20 maiores favelas do Brasil, o que desmente a tese de que a ZFM trouxe desenvolvimento equilibrado. “É falso, por conseguinte, certo entendimento de que as florestas preservadas são uma conquista da ZFM”, afirma o colunista.

Para o autor, o avanço do arco do desmatamento é reflexo da incompetência federal em regularizar terras e fiscalizar Unidades de Conservação. A solução passaria por transformar Manaus de “cidade-estado” em um polo que integre o Polo Industrial (PIM) à exploração sustentável da biodiversidade e biofármacos.

Com informações do Portal Amazônia.

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