Reino Unido investiga fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros

O órgão regulador de concorrência do Reino Unido iniciou oficialmente uma investigação sobre a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. O acordo, avaliado em US$ 110 bilhões, está sob a lupa da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA, na sigla em inglês), que deve avaliar se a operação cria um monopólio ou prejudica a livre concorrência no setor de mídia e entretenimento.

Se for aprovada, a fusão criará um dos maiores impérios audiovisuais do planeta. O novo grupo passaria a controlar franquias globais como Harry Potter e Missão Impossível, além do clássico Casablanca. A estrutura unificada também deteria ativos de peso, como a CNN, CBS, HBO e diversos canais de televisão ao redor do mundo.

A CMA definiu o dia 7 de agosto como prazo para encerrar a primeira fase da análise. Neste momento, o órgão decidirá se a transação gera preocupações concorrenciais imediatas. Caso os riscos sejam considerados relevantes, poderá ser aberta uma investigação aprofundada, processo que pode se estender por vários meses.

Para as autoridades britânicas, a cautela é necessária porque as indústrias de cinema e televisão movimentam bilhões de libras na economia local. Além disso, há uma pressão crescente de sindicatos e associações da indústria cinematográfica para que o governo do Reino Unido adote uma postura rigorosa na análise do negócio.

A operação é liderada por David Ellison, CEO da Paramount Skydance e filho do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle. Ellison venceu uma disputa de cinco meses contra outras ofertas, incluindo propostas da Netflix, para assumir o controle do grupo.

O negócio também enfrenta forte resistência nos Estados Unidos. Estados como Califórnia e Nova York preparam ações judiciais para tentar barrar a compra, sob o argumento de que a união reduziria a competição no mercado de entretenimento.

A Paramount, por sua vez, nega as críticas. Em declarações à Reuters, a empresa afirmou que a operação aumentaria a concorrência e que “impedir o negócio daria uma vantagem indevida a concorrentes já consolidados, como a Netflix”. Outro ponto de tensão são os profissionais de Hollywood, como atores e roteiristas, que temem demissões em massa após a integração das empresas.

Além do Reino Unido e EUA, a União Europeia também analisa a fusão, com decisão preliminar prevista para 7 de julho. Para facilitar a aprovação, a Paramount já sinalizou que aceita vender ativos voltados ao público infantil, caso os reguladores europeus exijam a medida para evitar a concentração de mercado.

Em nota oficial, um porta-voz da Paramount afirmou que a abertura da investigação britânica era esperada e que a companhia continuará trabalhando de forma construtiva com os reguladores.

Com informações do G1

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