Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (UEPA) revela que a transição energética na Amazônia Legal é marcada por profundas desigualdades. Enquanto a região abriga grandes usinas hidrelétricas que exportam energia renovável para todo o Brasil, milhares de famílias em comunidades isoladas ainda dependem da queima de óleo diesel para ter luz em casa.
Essa dependência do diesel encarece o custo de vida e aumenta as emissões de carbono em um bioma crítico para o clima global. Segundo o estudo, a abundância de sol, vento e rios não resolve o problema sozinha, pois o gargalo está na falta de infraestrutura de distribuição e no alto custo de tecnologias acessíveis para a população local

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“Muita gente pensa que a Amazônia é tudo igual, mas cada estado é diferente. Por mais que existam grandes hidrelétricas, como no estado do Pará, a maioria dessa oferta de energia não vai para a Amazônia Legal, mas, sim, para os outros estados. Além disso, as tecnologias de energia renovável ainda são caras para serem custeadas, principalmente pela nossa população”, explica Lucas Nunes, autor principal do estudo.
O mapeamento também alerta que o crescimento urbano acelerado nos municípios amazônicos, sem planejamento, pressiona os recursos naturais e eleva a poluição. Para Lucas Nunes, a solução passa pela diversificação da matriz: “É preciso obter tecnologia para ter uma matriz mais diversa, incluindo a eólica, a solar e a biomassa, para minimizar esses impactos”.
Para reverter o cenário de isolamento, o estudo sugere investimentos em geração descentralizada, aproximando a produção de energia do convívio das comunidades. “A região amazônica tem uma composição florestal bem densa, e isso dificulta o acesso à energia. Para suprir essa limitação, é preciso investir na geração de energia descentralizada ou distribuída”, ressalta o pesquisador.
A coordenação de novas políticas públicas agora conta com ferramentas como o Atlas Brasileiro da Transição Energética, lançado pelo Ministério de Minas e Energia em 2025, que visa mapear as vocações locais para transformar resíduos, sol e vento em energia acessível para quem realmente vive no território.
Com informações do Portal Amazônia.