Governo criará central para combater manipulação em apostas esportivas

O governo federal pretende implementar, até o encerramento deste ano, uma sala de situação dedicada ao monitoramento do setor de apostas esportivas. A medida, anunciada nesta terça-feira (18) por Giovanni Rocco, secretário de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério da Fazenda, visa coibir a manipulação de resultados esportivos.

A proposta consiste na criação de uma central operacional inspirada nas mesas de operação do mercado financeiro. Nesse ambiente, técnicos do governo federal acompanharão, em tempo real, as oscilações das chamadas “odds” — que são as cotações das apostas esportivas — com o objetivo de detectar movimentações financeiras suspeitas.

As odds, que representam as cotações baseadas nas probabilidades atribuídas pelas casas de apostas para os diversos resultados de um evento, serão o foco principal do monitoramento. A estratégia é identificar fluxos de capital fora do padrão, especialmente no período que antecede o início das partidas, momento em que volumes concentrados de apostas em um único resultado podem sinalizar tentativas de manipulação.

“São vários monitores. No fim do dia, as apostas são cotação de odds. O que é uma odd? É uma estatística e probabilidade. Então você tem o cruzamento dessas estatísticas e probabilidades. Quando existe a possibilidade de o time A ganhar do time B, a casa vai pagar menos nas apostas no time A e mais nas apostas no time B”, explicou Rocco.

De acordo com o secretário, a estrutura terá um funcionamento análogo ao de uma central de monitoramento financeiro, priorizando a análise de comportamentos anômalos. “É como se fosse uma sala do Banco Central olhando as bolsas do mundo e os comportamentos anômalos, principalmente antes da partida, porque o risco é maior. Quando começa o jogo e a atividade esportiva, isso se inverte”, afirmou.

Rocco detalhou que qualquer movimentação atípica poderá disparar alertas tanto para as autoridades governamentais quanto para as próprias operadoras de apostas. “Então se eu pego ali uma situação que não é usual e eu verifico que tem uma descarga de apostas muito grande, vai ter um alerta e já tem casas de apostas que identificam e fecham o mercado”, disse o secretário durante evento do setor.

O trabalho da sala de situação consistirá em cruzar as observações internas com dados de sistemas fornecidos por entidades de integridade do mercado de apostas. Essa integração permitirá a comparação de informações e a identificação de padrões suspeitos de forma mais eficiente.

Segundo o secretário, tais organizações são financiadas pelas próprias empresas do ramo e atuam reunindo e compartilhando dados de diversas casas de apostas globais. O objetivo central dessas entidades é monitorar a integridade das operações e detectar possíveis irregularidades no mercado.

Com informações do G1

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