Arrecadação federal bate recorde em maio com alta do petróleo

A Receita Federal informou nesta quinta-feira (25) que a arrecadação do governo federal, somando impostos, contribuições e outras receitas, atingiu R$ 266,8 bilhões em maio. O resultado é o maior já registrado para o mês de maio desde que a série histórica começou, em 1995.

Quando comparado ao mesmo período do ano passado, houve um aumento real de 10,7%. No ano anterior, a arrecadação havia sido de R$ 241 bilhões, valor já corrigido pela inflação.

Esse recorde é atribuído a dois fatores principais: o crescimento da economia brasileira e a implementação de novos tributos e ajustes fiscais anunciados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as medidas que impactaram o caixa da União estão a taxação de fundos exclusivos e “offshores”, a nova tributação sobre compras internacionais (conhecida como “taxa das blusinhas”) e a taxação de apostas esportivas (bets).

Outros pontos relevantes incluem o aumento de impostos sobre combustíveis, a reoneração gradual da folha de pagamentos, o fim de benefícios do setor de eventos (Perse), além de altas no IOF sobre crédito e câmbio e na tributação de juros sobre capital próprio.

O setor de energia teve papel fundamental. A disparada no preço do petróleo, influenciada por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, elevou as receitas com royalties e extração. O governo também aplicou uma taxação extra sobre as exportações do produto.

Somente em maio, o imposto de exportação sobre o petróleo rendeu R$ 1,05 bilhão. As receitas não administradas, que incluem concessões e compensações financeiras por recursos naturais, cresceram R$ 4,1 bilhões, enquanto a arrecadação sobre a extração subiu R$ 8 bilhões.

“O acréscimo observado no período pode ser explicado, principalmente, pelo crescimento da arrecadação da contribuição previdenciária e pelos desempenhos das arrecadações do PIS/Cofins, do IOF e do IRPJ e da CSLL. Destaca-se, ainda, recolhimentos atípicos de IRPJ e CSLL no mês de maio e a arrecadação de Imposto de Exportação sobre óleo bruto”, informou a Receita Federal.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação totalizou R$ 1,32 trilhão (valor nominal). Já em valores corrigidos pela inflação, o montante chega a R$ 1,34 trilhão, representando um crescimento real de 6,42% em relação ao mesmo período do ano passado, também batendo recorde histórico.

Apesar dos números positivos, o governo enfrenta desafios para cumprir a meta fiscal de 2026. Para este ano, a meta é um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a cerca de R$ 34,3 bilhões.

Com as regras do arcabouço fiscal, há uma margem de tolerância que permite considerar a meta cumprida mesmo com saldo zero. No entanto, a possibilidade de retirar R$ 57,8 bilhões do cálculo para pagamento de precatórios pode resultar, na prática, em um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026.

Com informações do G1

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