Cosan avalia vender parte da Rumo para reduzir dívidas bilionárias

A Cosan, holding que controla ou possui participações em gigantes como a Raízen e a Compass, anunciou nesta segunda-feira (29) que está analisando a venda de uma fatia de sua participação na Rumo, empresa referência em logística ferroviária no Brasil.

De acordo com a companhia, a operação ainda se encontra em fase inicial. A empresa ressaltou que, até o momento, não houve a tomada de qualquer decisão definitiva sobre a concretização da transação ou sobre qual seria o formato do negócio, caso ele venha a ocorrer.

Para conduzir a análise técnica e financeira, a Cosan confirmou a contratação do banco BTG Pactual como assessor financeiro. A medida faz parte de um planejamento estratégico para reduzir o endividamento do grupo e otimizar a sua estrutura de capital, buscando maior eficiência financeira.

O principal motivador para a possível venda é a necessidade de equilibrar as contas. No último balanço financeiro divulgado, a holding registrou uma dívida expandida de R$ 11,5 bilhões e um prejuízo líquido de R$ 1,583 bilhão. Ao fortalecer sua saúde financeira, a empresa espera criar condições mais favoráveis para a sustentabilidade de seus negócios a longo prazo.

Atualmente, a Cosan detém 20,33% da Rumo. Ao vender essa participação, a holding transformaria um de seus ativos mais valiosos em liquidez imediata (dinheiro em caixa). Com esses recursos, a estratégia é amortizar parte da dívida, o que reduz automaticamente as despesas com juros e melhora os indicadores de solvência da companhia.

O impacto na gestão da Rumo dependerá do volume da fatia negociada. Caso a Cosan venda apenas uma parte de sua porcentagem e permaneça como a principal acionista, ou mantenha o controle por meio de acordos societários, ela poderá continuar exercendo influência direta nas decisões estratégicas da operadora logística.

O mercado financeiro já reagiu à notícia. O banco Citi retomou a cobertura das ações da Cosan com recomendação neutra e estabeleceu um preço-alvo de R$ 4,50 para as papéis, o que sugere um potencial de valorização de 19,58%. Para o banco, a possível venda de ativos demonstra que a companhia avançou em sua estratégia de desalavancagem.

Apesar da perspectiva positiva do Citi, as ações da Cosan (CSAN3) fecharam a segunda-feira em queda de 2,39%.

Com informações do G1

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