O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou nesta quarta-feira (1º) que ainda existem questões a serem resolvidas antes da ratificação definitiva do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Apesar dos entraves, o diplomata demonstrou confiança de que os problemas poderão ser superados.
As declarações de Wadephul ocorreram um dia após a cúpula do Mercosul realizada no Paraguai. Durante o evento, os países membros do bloco sul-americano discutiram a distribuição das cotas de exportação previstas no recente acordo com a UE. O ministro alemão participou da reunião como parte de uma agenda oficial de visitas por diversos países da América do Sul.
O bloco regional, composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, assinou o acordo comercial com a União Europeia em janeiro, encerrando um ciclo de negociações que se estendeu por 25 anos. O tratado entrou em vigor de forma provisória quatro meses após a assinatura, mas a ratificação final depende da resolução de pontos específicos.
“A implementação (do acordo) ainda vai demorar um pouco. Certamente haverá alguns problemas, mas problemas que podem ser resolvidos”, afirmou Wadephul em coletiva de imprensa realizada em Buenos Aires, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno.
O ministro alemão reforçou que a vontade política para a concretização do tratado permanece alta. “Os passos decisivos já foram dados. Queremos esse acordo e seremos capazes de resolver os problemas que surgirem”, acrescentou, embora não tenha detalhado quais seriam os obstáculos técnicos ou políticos remanescentes.
Na prática, o acordo entre o Mercosul e a UE visa estabelecer uma zona de livre comércio. O objetivo principal é a redução e a eliminação progressiva de tarifas aduaneiras, o que deve beneficiar diversos setores produtivos. Enquanto alguns produtos terão isenção imediata de impostos, outros seguirão um cronograma de redução gradual de tarifas para evitar choques bruscos nos mercados internos.
A relevância econômica da parceria é expressiva: o comércio entre os dois blocos, que juntos abrangem um mercado de 700 milhões de pessoas, movimentou 111 bilhões de euros em 2024.
Além das discussões sobre o tratado comercial, Wadephul e Quirno anunciaram a assinatura de um memorando de entendimento focado em minerais críticos. A medida visa ampliar a cadeia de suprimentos de materiais como lítio e cobre, essenciais para a transição energética global e a produção de tecnologias sustentáveis.
Em um momento de descontração ao final do encontro em Buenos Aires, Wadephul mencionou ter recebido como presente do colega argentino uma camisa do River Plate, seu time favorito na Argentina, cujo estádio foi visitado pelos ministros após a coletiva.
Com informações do G1