O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou neste domingo (13) que seu governo pretende estabelecer uma “aliança única” com a União Europeia (UE), embora tenha descartado a possibilidade de o país se tornar um membro oficial do bloco.
A manifestação ocorreu após publicações do jornal Wall Street Journal indicarem que Ottawa estaria analisando a viabilidade de uma associação formal com a UE.
De acordo com a reportagem, o grupo europeu estaria disposto a criar uma categoria inédita de membro associado para o Canadá. Tal status exigiria a criação de novas normas, representando uma exceção às regras rigorosas que a UE historicamente aplica para a admissão de novos integrantes.
“Não estamos buscando nos tornar membros da União Europeia”, pontuou Carney. “O que estamos buscando, e para o que vamos iniciar discussões, é uma aliança única entre o Canadá e a União Europeia”, afirmou o premiê a jornalistas durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto.
O líder canadense destacou que as duas partes “compartilhamos os mesmos valores, temos as mesmas prioridades e forças muito complementares”. Essa aproximação estratégica acontece em um momento de agravamento das tensões comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos.
O gabinete de Carney confirmou, no sábado (12), que o premiê visitará a França e o Reino Unido na próxima semana. A agenda inclui um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e a participação na apresentação sobre o Estado da União Europeia, conduzida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Por outro lado, o jornal canadense The Globe and Mail relatou que a sugestão do termo “membro associado” partiu da União Europeia, e não de Carney. Citando fontes anônimas, o veículo mencionou que ainda é prematuro definir a classificação jurídica dessa relação. Porta-vozes da Comissão Europeia não se manifestaram sobre o assunto.
Disputa comercial
A intensificação da guerra comercial entre Canadá e Estados Unidos tem pressionado Ottawa a diversificar e fortalecer seus vínculos com outros parceiros globais.
O relacionamento entre Ottawa e Washington sofreu deterioração desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, no ano passado, devido a divergências comerciais e políticas. O conflito resultou na aplicação de tarifas sobre trocas comerciais que somam dezenas de bilhões de dólares.
Neste domingo, Trump voltou a criticar o governo canadense, definindo o país como “o pior para negociar”, embora tenha dito acreditar que os canadenses estejam “loucos para fechar um acordo”.
“Eles exploraram nosso país durante anos”, afirmou o presidente americano a jornalistas no Air Force One. Trump também reiterou a intenção de aplicar novas tarifas sobre a importação de carros, caminhões e autopeças canadenses a partir de 1º de janeiro.
Integração econômica
Segundo o Wall Street Journal, as discussões entre Canadá e União Europeia focam na facilitação da circulação de bens, serviços e mão de obra em setores estratégicos, como inteligência artificial, defesa, energia e minerais críticos. Na prática, a medida visa aprofundar a integração econômica.
As negociações abrangem projetos de infraestrutura tecnológica, como a instalação de cabos submarinos, centros de dados, expansão de armazenamento em nuvem e redes de satélite, além de investimentos para a exportação de energia canadense para o mercado europeu.
Carney também tem mantido diálogos com líderes europeus, especialmente com o presidente francês Emmanuel Macron, sobre a possibilidade de isenção de vistos para canadenses que desejem viver e trabalhar na UE.
A Presidência da França confirmou que Macron e Carney se reunirão em 20 de setembro em Saint-Pierre e Miquelon, território francês localizado próximo à costa atlântica do Canadá.
Contudo, a ampliação desses laços deve enfrentar resistências. O histórico mostra que há oposição em partes da Europa até mesmo a acordos simplificados. O acordo comercial entre Canadá e UE, por exemplo, ainda não foi ratificado por diversos países do bloco, mesmo após nove anos de vigência provisória.
Com informações do G1