Caos no GP do Bahrein reacende debate sobre volta dos V8 à Fórmula 1

Em Sepang, na Malásia, neste domingo (4), problemas durante o procedimento de largada do GP do Bahrein provocaram uma sequência de reclamações contra a complexidade dos motores de 2026. A discussão agora é por algo mais simples: a volta dos V8.

A proposta já estava em negociação antes do episódio. FIA, dirigentes da categoria e fabricantes discutem uma nova geração de motores com maior participação da combustão, menor dependência elétrica e custos reduzidos.

Entre o temporal e os problemas técnicos, segundo a explicação divulgada pela FIA, houve uma combinação de baixa rotação dos motores, pouca aderência, configurações de gerenciamento de energia para pista molhada e particularidades dos setores de Sepang.

Pilotos não gostaram nada

Pilotos durante o GP do Bahrein na Malásia

Foto: REUTERS/Annice Lyn

Carlos Sainz foi um dos mais diretos ao relacionar o problema à discussão sobre os motores. Para o espanhol, a categoria precisa rever as decisões que levaram ao regulamento de 2026.

“É isso que acontece quando há tanto software e tantos controles envolvidos. Se fosse um V8 aspirado, isso nunca teria acontecido”, afirmou o piloto da Williams, em declaração publicada pelo The Race.

George Russell também questionou a complexidade das unidades de potência e disse que o domingo “não pareceu muito Fórmula 1”.

Nem o vencedor Max Verstappen poupou críticas à complexidade dos motores. Oscar Piastri, por sua vez, disse nunca ter visto uma corrida atrasada por um bug.

FIA já negocia com as equipes a volta dos V8

Segundo inforamações do Motorsport.com, FIA e fabricantes chegaram a um entendimento sobre os principais elementos de um V8 turbo de 3,0 litros, acompanhado por um sistema elétrico simplificado.

Felipe Massa pela Ferrari em 2006

Foto: Ferrari

A proposta prevê um motor elétrico de aproximadamente 100 kW, diante dos 350 kW da geração atual, e uma meta de redução de pelo menos 50 kg no conjunto da unidade de potência.

Outro ponto em discussão é um recurso de potência extra para ultrapassagens, semelhante ao push-to-pass da Indy. A última era dos V8 na F1 durou de 2006 a 2013. Os V6 turbo híbridos chegaram em 2014.

A discussão passou por outras possibilidades. Em 2025, Ben Sulayem chegou a defender o retorno dos V10, mas a iniciativa perdeu força diante da resistência das montadoras.

O principal problema é a Cadillac

Sérgio Pérez durante o GP do Bahrein na Malásia

Foto: REUTERS/Hasnoor Hussain

Entre os fabricantes, existe abertura para mudar, mas as condições importam. A Mercedes, por exemplo, apoia a discussão sobre os V8 e defende a permanência de uma parcela elétrica relevante para manter a relação entre a F1 e os carros de rua.

Audi e Honda exigem atenção especial nessa negociação porque a fórmula adotada em 2026 foi importante para seus projetos na categoria.

Há ainda o caso da General Motors, que trabalha para estrear seu próprio motor com a Cadillac em 2029. Uma mudança já em 2030 ou 2031 criaria a necessidade de desenvolver a unidade atual e preparar a geração seguinte em um intervalo curto.

Fonte: Band F1

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