A Alemanha, país mundialmente reconhecido por sua tradição cervejeira, enfrenta um cenário econômico desafiador no setor de bebidas. Dados recentes do Escritório Federal de Estatística (Destatis) revelam uma queda consistente no número de cervejarias em atividade, reflexo direto da redução no consumo da bebida pela população.
Em 2025, o país registrou 1.415 cervejarias operando. O número representa uma redução de 3,6% em relação a 2024 e um recuo ainda mais expressivo de 8,8% quando comparado a 2019, ano em que o setor havia atingido o maior volume de estabelecimentos em três décadas.
O principal motor desse declínio é a queda nas vendas. Desde 2019, a comercialização de cerveja recuou 15,7%. Para se ter uma ideia da dimensão da perda, em 2025 foram vendidos cerca de 7,8 bilhões de litros, volume significativamente menor do que os 8,3 bilhões de litros de 2024 e os 9,6 bilhões registrados em 2016.
Geograficamente, a crise atinge a maioria dos estados federais. A Baviera, que continua liderando a produção com 588 cervejarias, viu 60 estabelecimentos fecharem entre 2019 e 2025. Na Renânia do Norte-Vestfália, o número de fechamentos foi de 31 unidades.
A estrutura do setor também evidencia a fragilidade dos pequenos produtores. Mais da metade das cervejarias alemãs (821) são de pequeno porte, com produção anual de até 100 mil litros. No extremo oposto, apenas oito grandes empresas conseguiram produzir pelo menos 200 milhões de litros em 2025.
Além da mudança no comportamento do consumidor — com jovens bebendo menos e um terço dos entrevistados abandonando o álcool por questões de saúde —, o setor enfrenta pressões de custos. O aumento nos preços da energia impactou a viabilidade econômica de muitas plantas industriais.
Volker Kuhl, presidente da Veltins, define a situação como uma “crise estrutural manifesta”. Segundo o executivo, “os fechamentos de fábricas vão se multiplicar, pois a produção de cerveja está perdendo a viabilidade econômica em muitas instalações que, do ponto de vista técnico, já estão ultrapassadas há muito tempo”.
Como estratégia de sobrevivência e crescimento, a indústria aposta nas versões sem álcool. De acordo com a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), essa categoria já representa 11% do consumo total no país. No ano passado, o setor atingiu o recorde de 750 milhões de litros vendidos, um crescimento de 7,6%.
Christian Weber, presidente da Brauerbund, destaca que “as cervejas sem álcool há muito deixaram de ser um produto de nicho para se tornarem um importante motor de crescimento do nosso setor”.
Com informações do G1