O desmatamento, as queimadas e o uso de agrotóxicos em áreas de floresta amazônica estão impactando diretamente a produção de cocares, arte ancestral fundamental para a identidade indígena. Artesãos de diversas etnias relatam a diminuição das aves, essenciais para a obtenção das penas utilizadas na confecção das peças.
Tapurumã Pataxó, artista da Aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA), alertou durante o Acampamento Terra Livre em Brasília (DF) sobre o cenário preocupante: “Os fazendeiros estão acabando não só com o nosso território, mas com o Brasil todo”. Ele recorda que, na infância, a abundância de araras era muito maior do que a atual.
A escassez de penas tem levado alguns artesãos a recorrer a medidas extremas, como buscar materiais em zoológicos, como relata Ahnã Pataxó, da Aldeia Velha, também em Porto Seguro. “É uma tristeza muito grande ver que os animais que eram livres estão hoje em uma área fechada por causa do desmatamento e da falta de consciência ambiental do ser humano”, lamenta.
O cocar, para além de um adorno, é um símbolo de resistência, proteção e identidade para os povos indígenas. Tapurumã Pataxó ressalta que a peça deve ser tratada com respeito por não-indígenas, sendo guardada como um símbolo de valor cultural.

Keno Fulni-ô, da aldeia próxima à cidade de Águas Belas (PE), destaca as mudanças climáticas como um fator que agrava a situação, alterando o comportamento das aves. A união entre as comunidades indígenas, como demonstrada nas trocas de penas durante o Acampamento Terra Livre, é fundamental para a preservação da arte e da cultura.
Aalôa, jovem artesão Fulni-ô, aprendeu a técnica com seus antepassados e encontra na confecção dos cocares uma forma de expressão e conexão com seu povo. “Somos a voz do nosso povo e uma só família”, afirma.
Com informações do Portal Amazônia.