Em maior emissão da história, Brasil capta 5 bilhões de euros no mercado europeu, sinalizando confiança dos investidores
O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (15) que o governo brasileiro captou 5 bilhões de euros por meio de uma emissão de títulos públicos no mercado europeu. A operação registrou demanda acima do esperado e marcou a maior emissão de títulos internacionais da história do país.
A emissão de títulos no exterior funciona como um empréstimo: o país paga juros ao investidor e devolve o valor no vencimento, utilizando os recursos para financiar despesas ou refinanciar dívidas. O Tesouro havia anunciado mais cedo a emissão de títulos denominados em euros, destacando o retorno ao mercado europeu após mais de uma década sem operações nesse segmento.
“Conseguimos uma captação histórica”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista a jornalistas em Washington. “Voltamos agora ao mercado europeu com grande sucesso e vamos prospectar novos mercados ainda até o fim do ano”, acrescentou.
Os novos títulos têm vencimentos em 4 anos (EURO 2030), 7 anos (EURO 2033) e 10 anos (EURO 2036), com a operação liderada pelos bancos BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS. O título de quatro anos somou 2 bilhões de euros, com retorno de 4,240% ao ano. O papel de sete anos totalizou 1,5 bilhão de euros, com retorno de 5,031% ao ano, enquanto o título de dez anos também teve emissão de 1,5 bilhão de euros, com retorno de 5,627% ao ano.
A demanda pelos títulos superou em mais de três vezes o volume emitido, com expressiva participação de investidores não residentes. Cerca de 69% das operações vieram da Europa e 9% da Ásia. Outros 13% vieram da América Latina, incluindo o Brasil, e o restante da América do Norte. O Tesouro destacou que “os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira”.
O Tesouro havia iniciado conversas com investidores na terça-feira (14), argumentando que o governo busca oferecer referência para outros emissores domésticos e contribuir para a “diversificação cambial” da dívida pública.
Com informações do G1