Êxodo rural preocupa produtores e acende alerta para sucessão no agronegócio

O cenário da sucessão familiar no agronegócio brasileiro enfrenta um desafio crítico. Em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo, o número de jovens entre 15 e 24 anos residentes na zona rural sofreu uma queda drástica de 66% ao longo das últimas duas décadas. Esse dado reflete a intensificação do êxodo rural, fenômeno que preocupa produtores sobre a viabilidade da gestão de propriedades e lavouras nas próximas gerações.

A saída dos jovens do campo não é apenas uma questão social, mas um risco econômico para a continuidade da produção agrícola. Sem a renovação do quadro de administradores, muitas propriedades correm o risco de estagnação ou de serem vendidas, alterando a dinâmica produtiva da região. Para combater essa tendência, iniciativas de capacitação técnica têm se tornado essenciais para tornar o setor mais atrativo.

Nesse contexto, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) implementou o curso “Jovem Empreendedor do Agro”. O objetivo central da formação é capacitar filhos de produtores para que possam dar continuidade ao legado familiar, transformando a visão do trabalho rural. A meta é mostrar que a atividade no campo evoluiu e hoje exige competências de gestão empresarial e visão estratégica.

Um exemplo dessa mudança de mentalidade é o caso de Raphael, filho do produtor Paulo Mota. Contrariando as estatísticas de migração para as cidades, o jovem optou por permanecer na propriedade, atuando no dia a dia da lavoura sob a orientação do pai. Outros jovens, como João Paulo, filho de Jomar e Regina Bello, também buscam na especialização a chave para a permanência no campo.

Segundo o instrutor Valber Rodrigo de Oliveira Santos, o foco das aulas é evidenciar que o agronegócio moderno oferece uma carreira promissora. A narrativa do trabalho rural como esforço puramente manual está sendo substituída pela ideia de empreendedorismo rural, onde a eficiência produtiva está ligada à inovação.

A modernização do setor é o principal atrativo para a juventude. A introdução de tecnologias de precisão, como o uso de drones para monitoramento de safras e a implementação de sistemas de gestão digital para controle de custos e produtividade, tem transformado a rotina no campo. Ao integrar tecnologia e gestão, o agro busca não apenas fixar o jovem na terra, mas garantir a sustentabilidade econômica e a competitividade do setor no mercado.

Com informações do G1

Deixe um comentário