Tensões no Oriente Médio acendem alerta na economia: inflação sobe para 4,80% e juros podem aumentar
Com a escalada do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro revisou para cima a projeção de inflação para 2026, elevando-a para 4,80%, e passou a prever um cenário de juros mais altos. A expectativa é que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ultrapasse o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), a projeção anterior de inflação era de 4,71%. A pesquisa, realizada com mais de 100 instituições financeiras, reflete a crescente preocupação com os impactos geopolíticos na economia brasileira. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%.
A projeção atual de 4,80% para este ano supera o teto da meta, marcando a primeira estimativa de estouro da meta de inflação em 2026 desde maio do ano passado. Apesar disso, a expectativa é que o IPCA fique abaixo do registrado em 2025, que foi de 4,26%. As projeções para os próximos anos indicam uma leve alta para 3,99% em 2027, permanecendo em 3,60% para 2028 e 3,50% para 2029.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, especialmente para aqueles com menores salários, já que os preços sobem enquanto os salários não acompanham esse aumento. Paralelamente, o mercado financeiro continua projetando uma queda nos juros, embora em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente. A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano após o primeiro corte em quase dois anos, deve encerrar 2026 em 13% ao ano, e 2027 em 11% ao ano, com estimativa de 10% ao ano para 2028.
Apesar das preocupações com a inflação, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi ligeiramente revisada para cima, passando de 1,85% para 1,86%. A projeção para 2027 permanece em 1,8%. O mercado financeiro também ajustou para baixo sua estimativa para a taxa de câmbio, projetando R$ 5,30 por dólar ao final deste ano e R$ 5,35 para o fechamento de 2027.
O Boletim Focus também aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. A instabilidade no Oriente Médio, portanto, impacta diretamente as expectativas de crescimento e estabilidade econômica no Brasil.
Com informações do G1