A Sweetener Users Association (SUA), associação que representa as empresas consumidoras de açúcar nos Estados Unidos, formalizou um pedido ao governo americano para a ampliação das importações do produto com a aplicação de tarifas reduzidas.
A solicitação, feita nesta sexta-feira (17), baseia-se na preocupação com a segurança do abastecimento interno. Segundo a entidade, os estoques de açúcar no país caíram para níveis abaixo do patamar considerado adequado pelas autoridades americanas, o que pode gerar escassez para a indústria.
Para solucionar o problema, a SUA defende que o governo redistribua as chamadas cotas de importação com tarifas reduzidas (TRQs). Atualmente, essas cotas são destinadas a países específicos, mas muitos não utilizam todo o volume disponível. A proposta é que esse saldo seja transferido para outros exportadores que tenham capacidade imediata de abastecer o mercado dos Estados Unidos.
A fundamentação técnica do pedido baseia-se em dados oficiais. De acordo com a associação, o relatório mais recente de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou uma redução de 145.870 toneladas nas entregas de açúcar. Para a entidade, esse dado justifica a necessidade de flexibilização das regras de importação para ampliar a oferta do produto.
No entanto, a proposta enfrenta forte resistência interna. A American Sugar Alliance, que representa os produtores de açúcar nos Estados Unidos, defende a manutenção das restrições às compras externas. A entidade argumenta que as importações que já ocorrem acima das cotas atuais pressionam os preços no mercado interno, prejudicando a rentabilidade do produtor local.
O cenário torna-se ainda mais complexo para o comércio exterior brasileiro. O debate ocorre poucos dias após o governo do presidente Donald Trump anunciar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos do Brasil, incluindo o açúcar.
A medida foi duramente criticada por representantes do setor sucroenergético brasileiro. Os produtores argumentam que o acesso ao mercado americano já é severamente limitado por um sistema rígido de cotas de importação, e a nova tarifa adicional cria uma barreira comercial ainda mais difícil de ser superada, impactando a competitividade do açúcar brasileiro nos Estados Unidos.
Com informações do G1