O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisou intervir na produção de energia do país na tarde de segunda-feira (29) para evitar instabilidades na rede. A medida ocorreu durante a partida da seleção brasileira contra o Japão, válida pela Copa do Mundo, que provocou uma queda brusca no consumo de eletricidade em todo o território nacional.
Para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN), o ONS reduziu em cerca de 20 gigawatts (GW) a geração de energia proveniente de fontes eólicas e solares. A ação foi necessária porque, no horário do jogo (14h), houve uma redução significativa nas atividades econômicas e industriais, coincidindo justamente com o período de pico de produção das usinas solares.
O sistema elétrico opera em tempo real, exigindo que a quantidade de energia produzida seja equivalente à quantidade consumida. Quando há um descompasso repentino, como ocorreu com a população parando para assistir ao jogo, o risco de instabilidade no fornecimento aumenta. O desafio é intensificado pela chamada ‘geração distribuída’ — milhões de painéis solares em residências e empresas que injetam energia na rede sem que o ONS tenha controle direto sobre essa produção.
Os dados mostram que, durante a partida, o consumo nacional caiu 21%, atingindo a marca de 66.515 megawatts médios próximo ao intervalo. A recuperação da demanda foi igualmente rápida: após o apito final, às 16h02, o consumo saltou 12.783 MW em apenas uma hora. Esse volume de retomada é comparável ao consumo médio somado dos estados de Minas Gerais e Paraná.
Em nota oficial, o ONS explicou que a redução de 20 GW na geração renovável “se deve a elevada geração distribuída e carga muito reduzida”. O órgão complementou que “neste cenário, o objetivo da redução é prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, preservando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade”.
O corte, que representou aproximadamente 10% da capacidade das grandes usinas conectadas ao sistema, expõe gargalos estruturais do setor. O crescimento da oferta de energia renovável não tem sido acompanhado pela expansão das linhas de transmissão, resultando em cortes de geração que geram prejuízos bilionários e podem desestimular novos investimentos no setor.
Apesar da operação complexa, o ONS informou que não houve necessidade de interromper a geração de pequenas usinas ou sistemas solares residenciais. O diretor-geral do órgão, Marcio Rea, afirmou que a equipe já se prepara para o próximo jogo do Brasil, no dia 5 de julho. “Avaliamos que mais pessoas estarão ligadas na Copa, o que poderá aumentar ainda mais a complexidade da operação”, declarou Rea.
Com informações do G1