O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou, entre as 10h e 14h deste domingo, uma operação inédita para corrigir um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de eletricidade no Brasil. A ação teve como objetivo evitar riscos de instabilidade no sistema elétrico nacional causados pelo excesso de energia na rede.
A medida, denominada “plano de gestão de excedente”, resultou na redução de 1.000 MW de geração. Segundo o órgão, a operação foi um “sucesso” e ocorreu em um cenário específico: de um lado, houve alta atividade de micro e mini geração distribuída — como a energia proveniente de painéis solares — e, de outro, uma baixa demanda de consumo por parte da indústria e do comércio, reflexo do feriado prolongado.
Para estabilizar o sistema, foi realizada uma operação conjunta. As distribuidoras de energia reduziram a geração em suas respectivas áreas de concessão, enquanto o ONS implementou medidas complementares para diminuir a quantidade de energia circulando no Sistema Interligado Nacional (SIN).
“ONS manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor”, informou o operador em nota oficial.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição, seguindo rigorosamente os parâmetros técnicos estabelecidos pelo ONS. A entidade informou que realizará agora uma avaliação técnica para mensurar os impactos e os resultados desse acionamento emergencial.
O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi criado no ano passado. A necessidade surgiu após a identificação de riscos de colapso no sistema elétrico, provocados justamente pelo crescimento da geração de energia renovável em períodos de baixo consumo, como fins de semana e feriados.
O foco do plano são as usinas classificadas como Tipo III, que englobam as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa. Embora essas unidades não estejam sob o controle direto do ONS, elas exercem influência significativa no equilíbrio geral do sistema.
O alerta para esse desequilíbrio já havia surgido em 2025. Em 10 de agosto, por exemplo, a geração solar chegou a representar 37,6% da demanda nacional em um domingo. Naquela ocasião, o ONS precisou reduzir a produção de usinas hidrelétricas e termelétricas, além de cortar a produção de grandes parques eólicos e solares para evitar falhas na rede.
Atualmente, seguindo as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 12 distribuidoras estão habilitadas a executar esses cortes. Juntas, elas detêm cerca de 80% da capacidade instalada das usinas Tipo III no país. A regulamentação exige que o ONS envie à Aneel, em até 30 dias, um relatório técnico detalhando as motivações e os resultados de cada acionamento do plano.
Com informações do G1