Petróleo sobe após cancelamento de reunião entre EUA e Irã

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira (19), reagindo ao cancelamento de negociações previstas entre Estados Unidos e Irã na Suíça. A interrupção do diálogo gerou cautela entre os investidores, que agora questionam a efetiva implementação do acordo de paz firmado entre as duas potências no início desta semana.

O barril do petróleo WTI, que serve como referência para o mercado norte-americano, registrou alta de 0,8%, sendo negociado a US$ 77,23. No início do dia, a commodity havia apresentado queda, impulsionada pela expectativa de que a assinatura do entendimento entre Washington e Teerã ampliaria a oferta global de óleo, especialmente com a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz.

A mudança de tendência ocorreu após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, cancelar a viagem à Suíça onde se reuniria com representantes iranianos. A confirmação de que a agenda não será cumprida veio do Ministério das Relações Exteriores suíço.

Apesar da recuperação diária, o petróleo ainda deve encerrar a semana em baixa. O mercado vinha sendo pressionado pela perspectiva de normalização do fluxo de exportações no Oriente Médio, após o fim de um conflito que durou quase quatro meses entre os dois países.

No cenário regional, petroleiros já voltaram a atravessar o Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio mundial, depois que os Estados Unidos suspenderam o bloqueio ao Irã na quinta-feira (18). No entanto, analistas da RBC Capital Markets alertam que a durabilidade do acordo é incerta e que a reabertura da rota pode ser gradual, similar ao que ocorreu no Mar Vermelho em 2025.

Enquanto isso, nas bolsas da Ásia, houve recuo nesta sexta-feira. No Japão, o índice Nikkei caiu 0,6%, após sucessivos recordes. Na Coreia do Sul, a bolsa recuou 1,8%, embora mantenha valorização semanal de 9,5%. Mercados na China e Hong Kong não operaram devido ao feriado do Festival do Barco do Dragão.

No mercado de câmbio, o dólar se valorizou frente às principais moedas globais. O movimento foi provocado por sinais do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, que indicou a possibilidade de manter uma política monetária mais rígida, com novas elevações nos juros ao longo do ano.

O índice que mede o desempenho da moeda americana subia e caminhava para fechar a semana com alta de 1,3%. Essa valorização do dólar impactou negativamente os metais preciosos, com quedas de 1,9% no ouro e 3,6% na prata. Já na renda fixa, os títulos do Tesouro americano oscilaram conforme investidores avaliavam a relação entre a política de juros do Fed e o impacto do preço do petróleo sobre a inflação.

Com informações do G1

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