O ano de 2024 registrou um dos maiores índices de queimadas na Amazônia em anos recentes, com cerca de 15,5 milhões de hectares afetados – uma área maior que os estados do Amapá ou Ceará. O fenômeno El Niño e o desmatamento intensificaram o problema.
Apesar da queda no número de queimadas em 2025 com a normalização das chuvas, um estudo inovador de 20 anos, conduzido por pesquisadores da Unicamp, Universidade Yale, Ipam e outras instituições, investigou os efeitos das queimadas na floresta.
Contrariando a hipótese de que as queimadas transformariam a Amazônia em savana, a pesquisa, realizada em áreas de transição entre a Amazônia e o Cerrado em Querência (MT), revelou que a floresta se recupera, mas com uma nova configuração, mais vulnerável a novos incêndios, especialmente nas bordas.
As áreas queimadas apresentaram maior proporção de espécies pioneiras, com menor capacidade de estoque de carbono. A fragmentação florestal, impulsionada pelo avanço da agropecuária, agrava essa vulnerabilidade. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
O estudo experimental, com queimadas controladas, mostrou que a floresta é mais resiliente do que se pensava, mas a degradação contínua pode comprometer sua capacidade de recuperação.

A pesquisa alerta para a importância de proteger as bordas das florestas e combater o desmatamento para reduzir a vulnerabilidade da Amazônia a futuros incêndios.
Com informações do Portal Amazônia.