Lideranças da Terra Indígena Yanomami demandaram ao governo brasileiro a criação de uma estratégia de cooperação com a Venezuela para intensificar a fiscalização do garimpo ilegal e a assistência à saúde na região de fronteira. A solicitação foi formalizada através de cartas produzidas no Encontro Binacional de Awaris e na III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami.
Embora as operações de combate ao garimpo tenham causado um recuo da atividade ilegal em algumas áreas, os invasores adotaram novas táticas, movendo-se para a linha de fronteira para evitar a fiscalização. Esse cenário agrava a crise sanitária, com o Sivep-Malária registrando 25.861 casos positivos na TI Yanomami em 2025, com a maior concentração em Awaris

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O fluxo migratório constante de indígenas entre os dois países, motivado por visitas familiares e busca por suprimentos, facilita a propagação da doença. Segundo a carta do Encontro Binacional, a região de Awaris, com mais de três mil habitantes, sofre forte pressão sobre recursos naturais: “encontra-se sob forte pressão em relação à disponibilidade de recursos naturais indispensáveis à subsistência, como caça, pesca, terras agricultáveis e materiais tradicionais”.
Outro ponto crítico é a região do Homoxi, onde opera o garimpo Taboca do lado venezuelano, mantido por brasileiros com logística vinda de Boa Vista. As comunidades locais enfrentam violência e degradação ambiental severa. Para solucionar o impasse, os indígenas propõem a criação de uma Câmara Técnica Binacional, com planos estruturados de combate ao garimpo e controle da malária.
Os documentos foram encaminhados ao Itamaraty e aos Ministérios da Saúde e dos Povos Indígenas. O objetivo é que o governo brasileiro estabeleça um Plano Binacional que garanta a saúde e a segurança dos povos indígenas que transitam e vivem na zona fronteiriça.
Com informações do Portal Amazônia.