Pirarucu na Amazônia: estudo revela espécie única e impacto no manejo regional

Um novo levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) revelou que a espécie Arapaima gigas é a única presente na região amazônica. O estudo, publicado na revista Neotropical Ichthyology, contraria pesquisas de 2013 que sugeriam a existência de até cinco espécies diferentes de pirarucu no sistema Amazonas-Solimões.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram 90 espécimes coletados em quatro regiões estratégicas: Alto rio Solimões, rio Juruá, rio Purus e baixo rio Amazonas, cobrindo mais de mil quilômetros de extensão

Estudo reafirma apenas uma espécie de pirarucu na Amazônia
Maior peixe de água doce da América do Sul tem só uma espécie na Amazônia, diz pesquisa. Foto: Valdenor Magalhães

. Do total, 70 peixes passaram por análise genética rigorosa, confirmando que as diferenças físicas observadas anteriormente são apenas variações naturais de uma única espécie.

O pesquisador Valdenor Magalhães explica que as variações de tamanho de olho, dentes e nadadeiras não permitem a criação de novos grupos morfológicos. “Essas variações individuais que vão desde tamanho olho, quantidade de dentes, comprimento e formato de nadadeiras, altura do corpo e até mesmo a quantidade de vértebras, não seguem um padrão que nos permita agrupar ou identificar outras espécies morfológicas”, detalha o autor

.

A descoberta é fundamental para a bioeconomia local, já que o pirarucu é uma das principais fontes de renda e subsistência de comunidades amazônidas. Por ser um predador de topo de cadeia, a preservação da espécie é vital para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos da região.

O estudo reforça a necessidade de medidas rigorosas para evitar o esgotamento do peixe. Segundo Magalhães, “preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”

Foto: Valdenor Magalhães

.

Com informações do Portal Amazônia.

Deixe um comentário